Thursday, 17 December 2009

eu hei-de ter uma árvore de camélias no meu jardim para poder vê-la crescer para baixo e para cima para dentro e só para mim podem vê-la na rua ao passar ninguém mexe ninguem corta na árvore do meu sonhar ah se hei-de! ah se há! a árvore do meu jardim vai parir flores só para mim para olhar quem fôr a passar ninguém cheira ninguem colhe as flores minhas regadas com sossolhos e música dançadas e amor amor amor será assim a minha árvore de camélias do meu jardim feita de amor e de cor a parir flores só para mim

Wednesday, 16 December 2009

na minha rua secreta
aonde ninguém passa
entra o sonho
o poeténioista
pedaços de encantos teus
voos de desejos meus
magias de abertas
asas que me perdem
que sobem sobem
e subindo no sentir
lágrimas do cair
na minha rua secreta
entras sonho
entras homem
aqui só para mim

Tuesday, 15 December 2009

devem ser lindos os sonhos de música da minha menina

(senão ela não dançava tanto enquanto dorme).:-)

Sunday, 13 December 2009


não uso guarda-chuva. nunca usei. tenho, no entanto, um em casa

(mas em casa não chove. ou, pelo menos, sempre que chovo, não preciso dele).

agora penso que um guarda-chuva em casa é como um amor guardado e não usufruído

(ocupa espaço).

nota: já estão prontinhos os fantoches para o du e para o vasquinho

convence-te que é mentira. é mentira que o que quer que venha do exterior te excita. aulas de strip? roçar num barão para fogueá-lo? oh, menina, isso quer dizer que vocês, enquanto casal, apodreceram. isso mesmo: estão podres. podres como a fruta congelada que, depois de descascada, nem se aguenta. sabes o que arde e faz arder? eu digo-te: é o que sentes, sem artifícios e sem manha. e depois há outra coisa: ser sexy também tem que ver só - e apenas - com o que está por dentro da roupa e depois por dentro da pele (ou julgas que são as meias esburacadas e as mamas empurradas para o queixo que te fazem sexy?) - o que, obviamente, em vocês, não existe. só sentes desejo pelo que vês quando já o sentes pelo que não vês. vê se entendes: podes encomendar foguetes e fogo preso; podes decorar uma tenda com velas de cheiro afrodisíaco e, até, encomendar comida no melhor take away da cidade (sim, porque está-se mesmo a ver que cozinhar não é, tu que és uma gaja moderna, para ti) e, claro, ensaiar, vezes sem conta, a dança no barão do tesão. faz, faz isso

(afinal de contas nunca fez mal nenhum a ninguém celebrar o que quer que fosse. celebra a mentira em que vives).


importante: já está decorada a minha agendinha para 2010

Saturday, 12 December 2009

sentir que não vale a pena abre-nos um leque de possibilidades dormentes

(é quase como quem chega à conclusão que prepara toda uma festa e, no final, não é convidada).

Friday, 11 December 2009

nada me fará deixar de gostar disto que, aqui, transcrevo.

Sorrir é algo só reservado a quem ama. Quando não se ama, sorrir é apenas dentes a descoberto

Diário de um Humano

07/12
A tristeza de não ser mais do que aquilo que deixei de ser. De não fazer mais do que aquilo que deixei por fazer. Sou os sonhos que não realizei, os passos que não dei. Sou a vida, sim, que não vivi. E é assim que vivo, entre pensamentos de que sou e a lucidez, sempre temporária mas sempre triste, de que não sou. De que não consigo ser. Os dias, lentos e parcimoniosos, são leves brisas de tempo, folhas que o vento, sem esforço, carrega para o destino final. Escrevo porque só sei escrever. Escrevo porque nada sei fazer. E aguardo que, letra a letra, se vá, imagem a imagem, o sonho prometido. E aguardo que, sonho a sonho, se vá, promessa a promessa, o destino ansiado. Sou, mais do que o que sou, o que não sou: o que não fui capaz de ser. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Meio escritor, meio humano, meio poeta e meio insano, meio senhor, meio criança, meio sorriso na meia infância. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Fui o quase génio, o quase artista, o quase pedinte, o quase louco. Fui quase feliz, quase gente – o triste demente, quase. Sou quase, sou meio. Porque sou, mais do que o que sou, o que não sou. Porque sou, mais do que o que sou, o que não fui capaz de ser: o que não sou capaz de ser.

08/12
Ao jantar, gente em tumulto no centro de comércio tumultuoso. Por detrás do balcão, um jovem de borbulhas no rosto e uma jovem de carnes em chamas jogam o jogo da sedução. Um sorri pelo sorriso do outro – e ambos julgam sorrir pelas palavras que dizem ou ouvem. Sorrir é um estado de alma – um estado em que o que se vê é tudo: excepto aquilo que se vê. Sorrir para quem se ama é a mais fiel das provas de amor. Sorrir é algo só reservado a quem ama. Quando não se ama, sorrir é apenas dentes a descoberto. Entendo o que eles, actores em pleno acto de representação, não entendem. E deixo-os continuar. Peço o que tenho a pedir e percebo que o que ele, o que me atende, apontou é completamente diferente daquilo que eu pedi. E deixo-o continuar. E deixo-os continuar. Ela vai limpando a máquina de café e limpando-se a alma, esgueirando-se de corpos tocados e de olhares trocados para os olhos dele – que continua, sorriso por sorrir, a olhar-me para a continuar a ver. Despeço-me com a refeição que não pedi e sei que vou sorrir como eles sorriem ao imaginar os sorrisos que eles vão continuar, sem mim como sempre estiveram, a sorrir. Ainda visito, de relance, os olhos uma última vez, por detrás do balcão, a amarem o chão que um limpa e o tabuleiro que o outro prepara. Nada do que fazem deixa de ser o que sorriem. Porque amar, quando se ama, não passa de tudo o que é. Porque amar, quando se ama, não passa.

09/12
Escrever as letras –
para riscar as lágrimas.

Um dia, todo um dia, a olhar para a letra que se une à letra, para o texto que se une à fuga. Um dia, todo um dia, à espera de um motivo para mais um dia.

Pedro Chagas Freitas


Thursday, 10 December 2009

Isto, sim, é um HOMEM: aqui


Fazer.Te.


Foder amor.

Nem foder nem fazer amor –

foder amor.

Foder-te

como à mais puta das putas.

E amar-te

como à mais única das amadas.

Foder amor.

Chamar-te puta

e dizer-te amo-te,

espancar-te o sexo

e afagar-te o beijo.

Ser o doce e a fera -

a treva e o raio.

Foder amor.

E só assim,

entre um grito e um afago,

foder-te com amor:

fazer-te amor.

Wednesday, 9 December 2009

quem me dera saber com o que sonha a minha menina

(talvez, assim, pudessemos ser, mais ainda, uma só).

Tuesday, 8 December 2009

andas a precisar de um lifting biológico ao cérebro

(é o que me apetece dizer a umas e a outras que corrigem o meu trabalho).

Monday, 7 December 2009

quando o fundo das costas está moído, quer dizer que a culpa é da coluna ou do rabinho?

(vou investigar)

Sunday, 6 December 2009

plim.

a nossa vida é uma ramificação de pontos de a a z; sabemos exactamente quando, como, porquê do a e das outras letras, vivendo, que se vão seguindo, mas desconhecemos totalmente o ponto z (que pode ser um a ou um b ou um t). podemos não mudar atitudes, comportamentos, hábitos. ou então podemos mudá-los todos. o que importa, mesmo, é, cá por dentro, sentirmo-nos a avançar, a ouvir o som do plim do não retorno; sabermos quando chega a hora de trocar o comboio pelo avião; portugal por cabo verde; sabermos que, cá dentro, prosseguimos a viagem dos pontos de a a z. podemos desistir de apanhar o comboio e optarmos, até, por ir a pé ou ficar parados num ponto - mas nunca voltamos ao trajecto inicial para prosseguir a viagem: nunca: os rios correm para o mar e as árvores correm - para baixo - para as raizes. regressar ao ponto inicial não é desistir da viagem mas, antes, recusar correr e crescer e envelhecer. é anti-natura querer ser bebé para sempre

(e os bebés não têm consciência e não sabem ouvir plim). :-)

Saturday, 5 December 2009

caem como orvalho
os meus lírios brancos d'agua
que um dia tropeçaram
em ti
caem como folhas
em árvores nuas
os meus lírios brancos d'água
que um dia se renderam
a palavras tuas ti
rebentam ao pousar
na sinfonia do silêncio
os meus lírios brancos d'água
são doces carregados de sal
salgados de doçura
cheiram a erva cortada
sabem a terra molhada
os meus lírios brancos d'água

Friday, 4 December 2009

"Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!"
entre um arrepio e outro não há nada

(é a isto que se chama curso pré-defuntal. estás a pensar se já defoste?)

Thursday, 3 December 2009

estar farta e fartura são opostos que, na verdade, se afastam

(não é justo. afinal, as árvores só se despem de fruta para se voltarem a vestir).

Wednesday, 2 December 2009


na tal

foi na tal

quadra sem retratos de brilho

e sem cor

que a mancha

um dia chegou

cinzenta de nevoeiro

preta de dor

na tal

foi na tal

que os anjos despiram as asas

e sem elas rastejaram

cobras de arrepio

frio

facas de gelo vadias

na tal

dias de oração

trouxeram castigo

levaram o ombro

roubaram o colo

romperam o solo

na tal

foi na tal

que um dia sem cor

a mancha chegou preta

de dor

e deixou de ser natal


Ver, também, na Fábrica de Letras



quando as minhas mãos acariciam a minha cabeça cansadinha pode sair disto

(a cabecinha, enquanto isso, pensa numa coisa muito, muito, difícil de conseguir: a certeza de ter uma pessoa preferida).

Tuesday, 1 December 2009

não me restam dúvidas: o amor e a arte são iguais.

quando a luz fica vermelha, está o caldo entornado. melhor: quando a luz fica vermelha, não há mais a fazer do que parar, deixar arrefecer e regar. foi assim, mais uma vez, ontem à noite, a caminho de casa. aproveitei (durante o tempo que estive parada numa bomba a aguardar - não a luz verde - que o vermelho fosse embora) para escrever estas linhas e não dar, assim, pelo tempo passar.
(demorei dois segundos a escrevê-las e o resto do tempo a pensá-las)

não me restam dúvidas: o amor e a arte, por não poderem ser apressados mas sempre materializados, são iguais.

Monday, 30 November 2009

há alturas, na vida, que o máximo que podemos fazer é recolhermo-nos à nossa insignificância (o que significa, bem visto, ouvir, vezes sem conta, o fado triste que gravaram para nós). por mais que o galo comece, pela aurora, a cantar e que o sol esboce, maroto, um sorriso e que a manhã seja clara e que os pêlos dela sejam macios e brilhantes:
o triste fado
o fado
triste
a passar no vinil
que já nem sequer existe
.

Saturday, 28 November 2009


os gays do monte bramam para atrair (homens) porque sentem vontade de dar peidos uns com os outros logo pela manhã.As lésbicas da planicie gostam da urina das outras logo pela manhã.Os bissexuais gostam do cheiro do cu dos outros logo pela manhã.E eu de que cheiro gosto ? So se for do perfume de excrementos de vaca!!!!!!!!!!!!!!!!


Afonso

Friday, 27 November 2009

"meu amor meu amor
minha estrela da tarde"

Thursday, 26 November 2009

ai que esta beleza não cansa a minha. :-)

"Traços de abraço, milagres de afago, cordas de saudade – traço-te em afagos de saudade; vivo-te em afagos de saudade. Saudade da que se tem mesmo quando se tem quem tanto nos faz ter saudades. Tenho-te saudades, amor, mesmo quando te tenho no espaço de onde não costumam sair saudades. Tenho saudades, amor, de cada momento de nós, de cada instante de ti, de cada volúpia de eu. Tenho saudades do teu beijo quando te beijo, do teu toque quando te toco; tenho saudades do segundo que passa, do minuto que vai, da hora que parte. Tenho-te saudades, amor. Porque ter-te saudades é ser, agora, contigo, a saudade do segundo antes do agora, e há sempre um agora, sempre um antes do agora para o agora de agora. Tenho-te saudades, amor. Agora e agora, um segundo antes e um segundo depois do agora – porque a nossa saudade, a do que vivemos e a do que acabámos de viver, não tem agora nem depois. A nossa saudade, amor, é um agora quando é agora; é um agora quando é depois. A nossa saudade é agora, sempre agora. Porque amar, amor, é sempre agora. Porque amar-te é sempre agora."

Tuesday, 24 November 2009

Gostei deste texto escrito, especialmente, para pessoas ,simplesmente,tão vulgares como uma foda.

quem o escreveu?

"O corpo é a mais previsível das composições musicais:
tocas aqui, desencadeias algo ali; desencadeias algo ali, provocas algo acolá. Cada corpo com a sua melodia: sempre previsível. É isso conhecer alguém: decorar-lhe as notas, as modulações, as entoações certas para cada segundo a dois. O outro lado de já conheceres, de trás para a frente e da frente para trás (literalmente: em ambos os casos), o corpo de alguém é só um: tédio. Tu sabes: uma música, ouvida vezes sem conta, não deixa de ser uma música que amas; mas não é por isso que não deixa de ser, também, uma música que, dia após dia, te custa mais ouvir. Ama-la – ama-la demais (e, de cada vez que a ouves, ganhas ainda mais consistência nessa certeza: ama-la); mas custa-te ouvi-la, custa-te continuar a ouvi-la: estás gasto dela. E não queres, em ti, gastá-la ainda mais. Então procuras: músicas novas; nem que menos agradáveis: novas. Músicas que não amas – no máximo: gostas. Mas que ouves – e que ouves como uma criança descobre um brinquedo: eufórico, entusiástico. A criança que ama um brinquedo – o brinquedo velho pousado a um canto é o que ele, mesmo não o parecendo, ama de verdade: o que ama. E é tudo. Os outros, os novos, aqueles com que ela perde o dia e os dias, são meras melodias passageiras. Ela sabe que, quando chegar a hora de escolher (e chega sempre a hora de escolher), vai escolher o velho – o que está encostado há anos num canto sombrio, mal-cheiroso e bafiento do sotão. Como tu: sabes que, por mais tédio que te cause, é aquele, o único, o amor que amas. Sabes que, quando chegar a hora de escolher, vais voltar a ele. Só não sabes – não me digas que ainda não tinhas pensado nisso – é se ele estará lá a essa hora. Excitante, não?"

é, assim, quando não é inferno, o meu sol de inverno.

Monday, 23 November 2009

receitinhã :-)

começar bem o dia pode ser, porque não, fazer umas almofadinhas, de frango e bacon, deliciosas. hummm. :-)

para cerca de dezasseis almofadinhas:

massa quebrada pronta ou 250g de farinha; 125 g de manteiga, 1/2 dl água; 1 ovo e sal;

(eu faço tudo a olho mas vocês, já sei, precisam de conta e medida). :-)

a) trabalhar a massa da farinha com as pontinhas dos dedos;
b) deixá-la descansar, tapada, durante duas horas;
c)ligar o forno a 180º e deixar apurar, numa frigideira, o frango (previamente cozido e esfiado) e o bacon em azeite, sal, alho, pimenta branca, salsa e louro;
d) cortar a massa em círculos grandes e depois em metades;
e)pincelar as metades com a seguinte mistura: ovo+azeite+alho+polpa de tomate;
f) espalhar o recheio de frango e bacon, dobrar e unir com os dedos;
g)pincelar com ovo batido e levar ao forno (fazer estrias, com o garfo, nas extremidades, vai muito bem);
h) sentar no chão (ou em cima da mesa) e comer as almofadinhas, com sumo de laranja natural, é a garantia de um dia excelente.

arrotar, arrotar. :-)

Sunday, 22 November 2009

a força do bem é guerreira e derrotará o mal


(ahahahahahahahahahahahahahahahahaha!) :-D

Saturday, 21 November 2009

"Sou um guardador de rebanhos

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz."

Friday, 20 November 2009

há pessoas que, por mais que se estique a conversa, não dão para nada. nada de nada

(é esperar o dia em que o saco do nada fica roto e deixamo-las irem pelo ralo. ontem, patrícia, foi o teu dia e ainda nem sabes. parabenizo-te).:-)

Thursday, 19 November 2009

na sala grande e branca
reinava a leveza
a pureza
o amor
e ele
despido
nos braços carregava com ela
vestida de branco-sala
que aguardava com os sopros
e com dança
os sopros dele e nossos
brisas de vida
regressar do sono longo
da morte

Wednesday, 18 November 2009

hilariante: o cubismo é um conjunto de cubos

(pppfff. e a AR é um conjunto de gente séria).:-D

Tuesday, 17 November 2009

a fé é isto
é
acordar a sorrir
depois de um tormento
receber na língua dela
uma fruta
um rebento
resistir à chuva e ao vento
mirrar a mancha
crescer a prancha
do mergulho no mar
a fé é isto
é
beijar a lama
beijar o pé

Monday, 16 November 2009

é isto e mais nada: o povo português tem medo da chuva

(tanto que, ao fugir dela, vira espanhol - bate no de trás, bate no da frente e volta a fugir. ainda vou fazer uma tese sobre o sol como variável exógena do tráfego rodoviário).:-)

Sunday, 15 November 2009


preto é o meu

e o dela

com preto estou

na janela

em branco a vê-lo passar

serás preto branco da alma

tu que és branco

no peito

feitiço de amor

sem proveito

amor do meu sonhar

a preto e branco sem tela

tu que sem mim e sem ela

sorriso branco de areia

mar de cor p’ra banhar

doce loucura dormente

chá excitante preto

contigo eu sei que não esqueço

vives branco sem pesar

tu que és branco

no peito

feitiço de amor

sem proveito

amor do meu sonhar

lilás eterno escrito

branco do choro aflito

preto do meu andar

de rosa branca ao peito

preto preto do meu leito

branco branco do meu sonhar

tu que és branco

no peito

feitiço de amor

sem proveito

espada do meu amar



Friday, 13 November 2009

achei piada, pronto. pedra do coito? :-)

(almoçar arroz de pato e ir à casa de banho e, ao dar de caras com uma máquina de preservativos, andar à procura do coiso para secar as mãos.)

Wednesday, 11 November 2009

cidade maravilhosinhã :-)

perdida, às voltas; cinto por debaixo das mamas e telemóvel ,em alta voz ,no meio das pernas a marcar uma reunião. polícia a mandar me parar: estou feita.

(qual feita qual quê?) ;-)

pede-me os documentos e, eu, ponho a minha imaginação prática a trabalhar. senhor agente, estou meia perdida e atrasada para chegar à zona industrial de sande, vila nova. que engraçado, o senhor agente é mesmo parecido com o meu irmão. mas não ligue ao que eu digo porque estou meia confusa, aqui, às voltas desde as dez...

(explicou tudo - documentos e infracções p'ró tecto - e, depois, sorridente disse: venha a trás de mim que eu levo-a lá). :-D

e que rápido foi. já na fábrica, visita concluída e documentada, diz-me, depois de alguns olhares matreiros e convencidos, o director: gostava muito que almoçasse comigo se já acabamos

(muito obrigada mas tenho de almoçar com a engª valquíria que está à minha espera). :-D

é caso para dizer: ai, pedro, que cidade maravilhosinhã é guimarães. :-)

Tuesday, 10 November 2009


as flores estão em toda a parte. elas são, não me restam dúvidas, pequenos brilhos de vida.

não está lindo o tapetinho dela? :-)

Monday, 9 November 2009

canção de uvar

são uvas amor
são uvas
as meninas dos olhos teus
são sumo de tolice
são uvas amor
são uvas
redondas de tanta meiguice
são o douro em água rasteiro
são uvas amor
são uvas
raio de sol domingueiro
são tuas as uvas
são tuas
são tuas amor
as uvas
as meninas dos olhos teus

Sunday, 8 November 2009

resposta, cantada, ao livra! no Aspirina b

aqui

:-)
ora aí está uma boa analogia para a cultura popular: grosseira (tal e qual os peidos devem ser: curtos e grossos).:-)

parabenizo-te, livra! - eu que sou, orgulhosamente, do povo - por inventares uma nova categoria social: a da inteligência sem peidos.:-) sim, senhor. fiquei a saber que os peidos são pertença do povo (interprete-se com a devida conotação negativa que dás ao povo) e, portanto, uma má prática libertadora. (será daí que vem a tua frustração?)

quanto ao depenar-me... junta-te a outros tantos como tu e podes brincar ao peido de ferro comigo. que dizes? talvez, assim, percebas que a arte contemporânea só é uma feliz influência da cultura popular e, desta feita, da libertação. dos peidos. :-)

os peidos são amor, meu caro (não sabias?), e há que escrever, mais e mais, acerca de. é que de falta de nobreza andam os media cheios.

(gostei tanto do que, aqui, escrevi que até vou copiar-me e fazer um post).:-)

Saturday, 7 November 2009

eu, tu, o papi e escalopes de perú. gostaste tanto, tanto, e eu cheiinha de feliz

(comeste quatro e, de beiços lambidos e sorriso rasgado, coxas afastadas e frutas centradas, amoramos até agora: tralarailailai). :-)

Friday, 6 November 2009

olé! olé! a vida é uma tourada e não - não comi feijão manteiga, ontem

(e tu, já enfrentaste o touro hoje?)

Wednesday, 4 November 2009

proustrado?

para proust, a conversa fazia parte daquela metade do perfil de um escritor que devia ficar oculta porque não interessava à literatura

(se o gajo fizesse ideia de quantos seguidores tem tinha escolhido viver sempre e, hoje, era um blogueiro do caneco). :-)

Monday, 2 November 2009

as lágrimas deveriam ser pequeninos cristais de dor que, depois de expelidos, deixavam de ocupar lugar nas almas de ventania e sangue e passariam a ocupar o merecido lugar em caixinhas, cor de dor, e lá permaneceriam, brilhantes e a sorrir, pela dor que, ao cair em forma de lágrimas de olhos tristes, retiravam.

Saturday, 31 October 2009

claro que não me importo de estar uma hora na peixaria para ser atendida

(aprendi como tirar a pele, de uma só vez, aos linguados. é, assim, conforme contam, como fazer depilação a cera). :-)

Thursday, 29 October 2009

há pessoas assim: conseguem, sempre, fazer, comigo, o que querem

(valquíria, minha deusinhã, és poderosa).:-)

Tuesday, 27 October 2009


o divã de edie

(há pessoas finas. finas como uma couve).

como eu estava a dizer, edie é uma rapariga culta: passa, amiúde, pelo aspirina b e deita-se no divã. edie fala da pátria - herdeira de trunfos e de desilusões, fantasiadora de histórias e criadora de realidades -, de camões - por mares nunca de antes navegados - e, até, do último romance de josé saramago - que não é muito extenso (nem poderia sê-lo porque necessitaríamos de mais fôlego) -: literatura em estado puro.

edie precisa de desabafar e deita-se no divã. edie não ri e não gosta de ver rir: edie assume-se dura e com uma carapaça inquebrável porque, afinal, são assim os pseudo-intelectuais – fazem psicanálise barata quando são eles que, sem perceberem, estão deitados no divã. e no divã de edie não há espaço para piadas de pilas voadoras nem de peidos; edie aprendeu, desde tenra idade, que devem fazer-se, apenas, leituras literais.

((há pessoas finas. finas como uma couve e esta, edie, é para ti).:-)



e se, de repente, as pilas fossem voadoras?

(é, assim, criativo, o meu professor de artes plásticas e visuais).:-)

Saturday, 24 October 2009

puta que pariu o porco!

(uma hora de antecedência deve dar para a viagem). esperava-me mais um caminho das cabras, muita chuva, música aos soluços e, apenas, pontos de referência que anotei, a vermelho, na minha agendinha: desta vez, rumo a uma fábrica de charcutaria.

(calma, não lambam, já, os beiços. aguentem mais um pouquinho).

tudo controlado; tempo dentro do tempo estipulado. ai, ai, o que está a acontecer? por segundos, esqueci – varreu-se-me da cabeça a ligação dos pés aos pedais -, troquei tudo. como é possível que uma simples falha de memória possa transformar-me, ao mesmo tempo, numa assassina e numa morta.

(e sim: é nestes casos que ser assassina, imediatamente antes de morrer, compensa).

adiante. fábrica à vista. máquina fotográfica em punho e o meu sorriso por não me sentir, uma delas, salsicha. (não?)

ouçam: aquele pãozinho, quentinho, que barram com manteiga e juntam fiambre sabe-vos bem? e se em vez do fiambre imaginarem uma couraça - amassada durante horas a fio e depois cozida – de porco? (qual fiambre da perna e da pá qual quê - só se for do couro da perna ou do couro da pá porque a percentagem de carne é quase invisível). quinhentos porcos, às metades, pendurados pelo cachaço e um cheiro nauseabundo; pedi para esperar mas não assentiu e saiu: vómito.

(ainda lambem os beiços?)

apressei a coisa e esperava-me mais um caminho das cabras, muita chuva, música aos soluços e, finalmente, a alegria de voltar a casa. portão da entrada e o director da farmácia – a quem apresentei uma reclamação escrita e que, por causa disso, cospe, até hoje, sempre que passa por mim – a passar. a tentação: acelerar e amassar-lhe o couro até virar fiambre; a reacção foi contrária e travei porque, de repente, vi metade de um porco a andar.

(é ou não é” puta que pariu o porco!”?)


:-)

Friday, 23 October 2009

ontem, enquanto falava com a patrícia, ela recebeu uma sms (daquelas em série que não chegam a aquecer o meu telefone porque não tenho paciência para mensagens despersonalizadas. ou se calhar é porque não gosto de telefones. não, é verdade que não gosto de telefones - por acaso achava um piadão áqueles pretos, de discar, pesados, que se colocavam na credência do hall - mas irrita-me essa coisa de fazer coisas em série: gosto de fabricantes exclusivos. isso: mercados com quotas de 100%) que dizia: (não me lembro mas era qualquer coisa que tinha que ver com os pénis serem feios).:-)

o que eu quero dizer é que o sexo masculino é bem mais giro do que o meu. está bem que o meu é uma espécie de fruta em tela mas o vosso, homens, é algo moldável; uma espécie, assim, de barro sem deixar, igualmente, mas a 3d, de ser fruta.

depois existe A pila. essa, então, além de barro e fruta, é, certamente, o pedaço de carne com mais alma do mundo. eu tenho a certeza que A pila faz poemas.:-)

Thursday, 22 October 2009

pois. o deus da bíblia não é de fiar. palminhas, saramago.

o deus da bíblia é um autoritário: criou o homem e exigiu-lhe que dominasse os peixes do mar, as aves do céu e os animais que se arrastam na terra

(e ordenou que os comesse quando a fome apertasse, claro).

mas esse deus também é sexista: criou um homem e depois decidiu que o homem que andava nu precisava de uma companhia - criou a mulher e vestiu-os de peles, claro

(alguém teria, depois, de passá-las a ferro).

ai. o deusinho da bíblia andava preocupado com a performance sexual, com a carne do prepúcio, daquele que criou à sua semelhança

(de outra forma, para que mandou circuncidar os meninos de treze anos?)

palminhas saramago: esse deus ordenava homicídios e proclamava as concubinas

(e os guisados).

pronto. não vos chateio mais, seguidores fieis, leitores de palas sem tempo. urge, agora, perguntar: não terão tanta credibilidade esses textos escritos – talvez sobre efeito de marijuana, quem sabe, ou ópio – como os de luz, mais luz, ainda mais luz da alexandra solnado que jura, a pés juntos, receber as mensagens que escreve desse mesmo deus?

o único deus que existe é aquele que sentimos. a força que nos grita para continuar; o sorriso que damos quando, a chover cá dentro, nos olhamos ao espelho; o que nos faz ter prazer em oferecer comida a alguém; o que nos dá alegria em levar, para casa, um cão. esse não precisa de evidências escritas para mostrar qualidade e, perdoem-me, serem alvo de não conformidades explicitas.

pois. o deus da bíblia não é de fiar. palminhas, saramaguinhõ. :-)

Wednesday, 21 October 2009

tenho andado a cagar verde por tantos grelos que como. será que no dia em que cagar cor-de-rosa é sinal que respiro felicidade?

(só faltava, agora, virem com a treta que não costumam - quando cagam - olhar. isso é o quê - vertigem pela sanita?) :-)

Tuesday, 20 October 2009

sopra tontinho o vento
um sopro de lá e de cá
e abana a chuva que molha
os pés do canto do olho
por onde andas sol quente
o que andas tu a queimar
esqueceste a flor de lírio
apagaste a luz da boca
cortaste as folhas de ouro
rasgaste o cetim
e agora sol que não há
mandas o sangue na chuva
e as lágrimas no vento
abandonas
deixas ficar
o que a terra amanhã
ou depois ou agora
vai comer e mastigar
e tapar tapar
a crise de valores anda no ar.

(preferes ser escravo do orgulho ou ganhar coisas boas e felizes?)

Monday, 19 October 2009

a crise de valores anda no ar.

(o que preferes: um abraço forte e um sorriso do pai ou um depósito cheio de gasolina?)

Sunday, 18 October 2009

há quem acorde e fique a olhar para o tecto: eu fico a olhar para as paredes e, sem sono, quero, com força, dormir.

Thursday, 15 October 2009

E pronto. Em resposta aos inúmeros emails recebidos - a cobrar a ausência do CC - aqui fica, meninas, um D'Alma, lindo, para aconchegar a saudade. :-)


"Carrego a fímbria do que sou, cirando à volta do que frui, arrasto os degraus do que sonhei.

Se houvesse terra entre nós

não havia mar a sós,

não havia boca vermelha,

vento na telha,

cuspo de poeira

Se houvesse terra entre nós

não havia mar a sós,

não havia chuva molhada,

gota chorada

Se houvesse terra entre nós

só havia neve derretida,

só havia ilha traída

Solto a manga que rasguei, coso a alma que guindei, escapo da manta do que sei.

Se houvesse mar entre nós

não havia terra a sós

havia lábios ceifados,

havia anéis descarregados,

havia rapazes molhados

Se houvesse mar entre nós

seríamos barco navio iate,

seríamos sonda sorriso capote,

seríamos seríamos seríamos

aquilo que nunca seremos

Se houvesse mar e terra entre nós

nem assim restaríamos sós."


Confúcio Costa




Wednesday, 14 October 2009

ai que orgulhosa estou da minha menina. :-)

a minha cadursa é uma morena cheia de personalidade e, por isso mesmo, sabe bem o que quer; sabe dizer não; sabe escolher e não se contenta com o que não lhe enche as medidas.

andei, durante dois dias, a dizer-lhe que traria uma amiguinha - que poderia tornar-se uma irmã - para viver connosco: pequenina, moreninha e a precisar de amor e cuidado por ter uma patinha doente. concordou e hoje foi o dia A: apresentação.

(ao fim de dez minutos eu vi, no seu olhar, que não gostou da potencial amiga-irmã - mas passamos quase a tarde inteira juntas para comprovar.

"não quero, não gosto dela e passo bem sem a sua companhia", disse-me ela).

Tuesday, 13 October 2009




se rir é o melhor remédio

(os enfermeiros e os médicos deveriam ser, todos - substituídos nos hospitais e centros de saúde -, palhaços).

Sunday, 11 October 2009

quem me conhece bem - quase ninguém - sabe que o saramago cansa-me. e não é o que ele diz nem a sua grandeza criativa que me cansa: é mesmo a oralidade que ele coloca na escrita. isto é tão verdade que, ontem, pude confirmar o meu cansaço

(e que bem que eu fiquei, sentada no chão da cozinha, a escutá-lo, na rádio, no "acontece" de 1988).

fiquei a saber que em 1965, desempregado, rumou ao alentejo e aí permaneceu convicto que, num ápice, escreveria um livro . e enganou-se. demoraria três anos a acabar o "levantar do chão" e a eliminar a pontuação da sua escrita. deu-se conta que, após vinte e cinco linhas - o que explica por mera intuição -, abolira tudo o que não remetia para um discurso meramente oral: nascia, assim, a passagem para a mudança da forma: o estilo

(e eu, ficaria horas a ouvi-lo, hoje esou certa, contar as histórias).

a minha atenção redobrou, aos saltos, quando começa a falar de blimunda e baltazar, "um constante Sol para esta mulher", e confessa não conseguir ser o homem baltazar nem a mulher blimunda que são, bem visto, um modelo de perfeição do amor: um amor, total e profundo, sem palavras de amor. ousou afirmar ser um amor impossível de duas pessoas impossíveis porque, afinal, somos humanos.

(é por estas que - e por outras que quem me conhece bem, que é quase ninguém, sabe -, meu querido saramaguinho, tens mesmo de conhecer-me: eu vivo na tua imaginação sem tu me conheceres). :-)

Saturday, 10 October 2009


e lá estava, eu - sem saber aonde era a minha casa, como me chamava e o que fazia -, sentada, no carro parado, a aguardar que alguém ligasse.

(lembrava a minha casa: o oásis meu: os recantos, o cheiro, a minha menina e o meu cão. não lembrava mais nada).

e lá estava, eu - sem saber aonde era a minha casa, como me chamava e o que fazia -, sentada, no carro parado, a aguardar que alguém ligasse para ir buscar-me.

Friday, 9 October 2009


acabei de descobrir: as núvens estão para as cabeças como os nevoeiros estão para os sonos.

(e o ouvido direito é o mais eficiente).
e não é que é verdade? cozinhar é, também, amar.:-)

Thursday, 8 October 2009

chamar eucalipto a um colega de trabalho e provocar, nele, vaidade, contentamento e, até, (sim, com toda a certeza, sim) tesão, é a melhor forma de o insultar


(ai que riso: os eucaliptos são árvores grandes e cheirosas, é certo, mas mirram e destroem tudo em seu redor).:-D











Wednesday, 7 October 2009


perdoem-me os dois poetas que, aqui, misturo.

(acordei a cantar, em silêncio, assim.)

“escrevo o amor com
as mãos que te batem
as dores que te encolhem

escrevo o amor com
as formas do que esfola
os calos do que piso

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

escrevo o amor
no amor no grito
no não que não salvo
no sabor do aflito

escrevo o amor com
as manchas que te dou
o merdas que te dançou

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

escrevo-te o amor
em letras de desistência
em lâminas de ausência

escrevo-te, amor:
escrevo-te (o) amor.”


Monday, 5 October 2009


também a alma, como os rios que deixam de correr, apodrece.

ontem foi dia de lã: xailãsinho

(e hoje, se eu fosse rainha, também usava este miminho).:-)

Sunday, 4 October 2009

A propósito de uma frase de um texto, muito interessante, do Valupi, que li, ontem, consta-se que o amor anda esquecido. Mas não anda. O Amor anda em todo o lado a ser passado para trás. É isso. E isto aplica-se não só - mas mais e melhor - ao amor romântico É isso.


A começar, que seja do início. O que é o Amor?

A ser “fogo que arde sem se ver”, em tempos de políticas pró-ambientais, o caminho mais fácil é a banhada (quem é que quer arder e ficar a cheirar a fumor?); E “se é no amor que recebemos que sabemos o que valemos na nossa consciência” aonde está, aqui, o amar? (puxar o lustro a um par de sapatos é, de facto, um amor intenso?)

O meu amigo dicionário diz, também, que a variante de atracção entre duas pessoas é uma definição. Ora vejamos: fogo a arder sem se ver e a ser extinto - na cama ou na cadeira da sala - em que o orgasmo de um proporciona as ejaculações do outro (este, último, fica a com a certeza, na sua consciência, que vale muito?). Ou então, duas ejaculações, mecanicamente engenhadas, cujo output magnífico é um aiquebom que pode durar, é preciso não esquecer, uns largos segundos (é, no fundo, o tesonete que desatina sem doer?).

Eu sei que sou uma antiquada da merda; não sigo as tendências, modernas, dos casais. Sou uma chata: Sinhã, és démodè. Os casais não querem saber do hálito um do outro: os beijos fazem parte do processo, mulher, de troca de fluidos (também não usas caldos da knorr no arroz?).

Não consigo. Desculpem mas não consigo escrever mais sobre isto que anda na frente

(prefiro guardar para mim

o amor que deve ser

como é

o que não anda nessa dianteira

nem na bagageira de trás

é o que anda ao lado e ao centro

o que arde por fora e por dentro

e vale pelo que dá e recebe) : o Amor que é duro e leve. :-)

Saturday, 3 October 2009

tão linda esta canção.:-)


"Hoy vas a descubrir que el mundo es solo para ti
que nadie puede hacerte daño, nadie puede hacerte daño
hoy vas a comprender
que el miedo se puede romper con un solo portazo.
hoy vas a hacer reir
porque tus ojos se han cansado de ser llanto, de ser llanto…
hoy vas a conseguir
reirte hasta de ti y ver que lo has logrado que…"

Friday, 2 October 2009

"O silêncio é uma confissão."

?

Thursday, 1 October 2009

"Sexo é como jogar bridge: se não se tem um bom parceiro o melhor é ter uma boa mão."

quem?

Wednesday, 30 September 2009


era para ser a minha pulseira preferida. mas não é. saiu um marcador, lindo, para guardanapos de tecido.

(vou fazer mais cinco, claro, para enfeitar os olhos da mesa).:-)

Monday, 28 September 2009

feita num oito, joão pedro?:-)

a vidã tem muito o que se lhe diga.

sou trovão
chuva miudinha
sou cristal na mão
um leixão
sou nudez tapada
ovelha de lã despida
uma alegria surda
uma tristeza envolvida

Friday, 25 September 2009



1979, 25 de setembro.


soaram, estou certa, os sinos de um piano do alto; os sinos que anunciavam a chegada dos dedos, mágicos - das óperas e das odes; dos poemas e das crónicas -, do amor.


sei, hoje (e tu só não sabes se não quiseres), que o mundo sem as suas palavras não seria o mesmo. é ele, sim, que revoluciona - mais do que a literatura - incisiva, perversa, crua e verdadeiramente, a nu, o que é ser humano. e é ele, sempre ele, que - ora tocando os ossos das frustrações humanas, ora pincelando a esperança da desesperança do amor - com ironia e pilhéria, audácia e (confessemos) sedução por um novo mundo de conceitos e de “modus vivendus”, a cada frase, a cada pensamento, empurra o leitor, ideal, para o abismo de conseguir aguentar, firme, nas tramas, o factor surpresa (: não digas - estás surpreendido?).


gralhas? não existem (contrariando a corrente de que os livros, as pessoas e as personagens não se querem perfeitinhos) e colocam o autor a candidato a monumento literário (: ainda não foste comprar um livro?).


a profundidade das suas obras é alucinante e é, sem dúvida, este estilo desmedido a que o autor nos habitua, o maior e mais forte contributo para a queda da literatura do quadrado a que o mercado nos tem condenado (: sim, eu sei. estás cheiinho de vontade de ler sem linhas?).


é o seu inconfundível linguajar, as suas críticas rendilhadas de dor e de cor e de amor que nos remete para a pureza crua e nua da mente humana: a perversidade, a castração e a impiedade que o ser humano tende (para manutenção da espécie) a esconder (: mais solto?).


Importante será, ainda, referir e reforçar (o que é uma constante nas obras do autor) aquilo que – não conseguido por muitos ilustres das letras – melhor o define: descaramento explícito de desafiar o Dharma que se traduz, para o leitor, numa sadia fonte de gozo (: eu espero se estás, agora, a gozar). :-)


é magnífico o nosso Pedro Chagas Freitas.


és magnífico: palminhas.:-)


Thursday, 24 September 2009

Correr, correr. Ela corria - dia sim, dia não – atrás do vento que se apresentava de capa negra e bigodes enrolados. O nome Dela não sei. Além disso, não é importante para o que quero contar. Quero contar a história da corrida para o vento: para A salvar.

Em dias sim era o medo que a travava. Travava-lhe, até, a vontade de pensar: e ganhar.

Ganhar, sim. Pensar é ganhar e nunca se ganha a medo; ganhar medo é, bem visto, meio caminho andado para parar. E para parar de pensar - no vento.

Barricar, vejo hoje, foi a ponte. A ponte que idealizou – de forças e esperanças – para chegar ao vento. A cada dia sim repetia, vezes sem conta, o que precisava não fazer no dia seguinte - que era dia não - e pensava. Pensava como era bom pensar e no que faria no dia depois do seguinte para encontrá-Lo vivo.

Agora: os sonhos Dela - passaram sessenta anos de dias sim e de dias não -, de mulher. Os sonhos - de profundos e arrebatadores pensamentos - são, agora, realidade: a sua esquizofrenia é abusiva e abundantemente controlada por pastilhas negras. Continua, porém, a enrolar guardanapos em forma de bigodes.

Wednesday, 23 September 2009

recruta? esta é para ti:

o que diz um tomate para uma tomata - tumatasme.:-D
e um tubarão para uma tubarona - tubaralhasme.:-D

(isto, sim, é pensar).:-D

Tuesday, 22 September 2009


deixa-me saber o que fazes e dir-te-ei quem és?

(mais ou menos: o hitler era vegetariano, não fumava nem bebia e praticava muito desporto.) :-D

Monday, 21 September 2009

o que fazer quando - armados em espertos - os colegas de trabalho tentam passar-te a perninha?

eu digo: agarra-se-lhes a perna e trinca-se até guincharem.

(continuar a ser melhor do que eles e fazê-los espumarem-se de inveja é a melhor trincadela do planeta.) :-D

Sunday, 20 September 2009

"Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento."

Saturday, 19 September 2009

não há toalha de mesa? posso vasculhar as tuas gavetas do quarto?

(um lençol de cetim, cor-de-rosa, adaptado com laços nas pontas, fez um brilharete: a mesa- delicada e romântica). :-)

Thursday, 17 September 2009


a caixinha do amor: para eles. :-)

Wednesday, 16 September 2009

se pudessemos saltar por cima dos dias
como se saltam pedras nos caminhos
talvez ou talvez não
porque as pedras dos caminhos lá ficam
para alguém pisar ou saltar
e os dias não se repetem
são soltos e têm vento
ou sol ou chuva ou doce
ou não
ou não

Tuesday, 15 September 2009

ai digo, digo: a confecção de pastelaria é um nojo

(a não ser que as moscas estejam certificadas pela ISO 22000).

:-)

Monday, 14 September 2009

recordo, a chorar, como se fosse hoje, quando chegaste: esmurrei-te antes daquele abraço quente.

Beijote. Finalmente: entendes.

suicidaste-te, apenas, porque eu morri. és tão romântico, amor.

Riso em mim: tu.

Sunday, 13 September 2009


ele disse isto no século XVII. :-) (não está bem dito?) :-) " (...) há-de-se guardar e estimar a mulher boa como se guarda e estima um formoso jardim, que está cheio de rosas e outras flores; o dono não consente que ninguém por ali passeie nem colha; basta que, de longe, e por entre as gradarias, lhe gozem da fragância e lindeza."

Saturday, 12 September 2009

maevesinhã :-)


rainha maeve. irlandesa celta - frequentemente chamada deusa por ter exercido poder e fascínio entre seus súditos na sua época - significa "mulher ébria" ou "rainha-loba". deusa da guerra: participou em vários combates - as mulheres, nesta época e nesta cultura, não eram vistas como frágeis ou incapazes e lutavam bravamente. tinham o poder de escolha dos maridos com seus respectivos dotes. além disso, optavam pelo divórcio se estivessem insatisfeitas ou infelizes.

maeve foi, igualmente, um símbolo da sexualidade plena e exuberante. assim como vénus (na cultura romana) ou afrodite, na grega; tinha o poder de escolher os seus parceiros e a sua relação com a sexualidade nada tinha que ver com promiscuidade. ao contrário disso: saudável e magnética.

Friday, 11 September 2009


atendendo à riqueza – que um jogo de futebol tem - de metáforas, eu diria que a baliza não é o sexo mas, antes, o coração. e o golo, certeiro, é a seta a bater no peito

(razão pela qual despem a camisola: a libertação e, daí, a corrida para o orgasmo que é, bem visto, a totalidade do tempo do jogo). :-)

Os que jogam nada são, precisamente, os utilitários da bola. :-)

Thursday, 10 September 2009

e não é que o marido da senhora (que ontem bateu no meu carro) diz que vem cá para falar comigo? mas ela não tem boca nem se sabe desenmerdar? que é isto? vem cá fazer o quê? mas digo-lhe aonde moro o quê? vou ter com ele à oficina e é um pau.

(já agora. eu é que tive o prejuízo e ainda tenho de levar com o marido dela? ela que o ature.) :-D

Wednesday, 9 September 2009

que dia bonito e cheio de sol - pensei quando, bem cedinho, me levantei

(levantar é, para mim, uma cerimónia que exige todos os cuidados e preparativos antes de sair para uma reunião muito importante: não chega um bom pequeno almoço. não; tem de ser muito bom. e a roupa - escolhida ao rigor que a ocasião obriga. (e aquele salto mais elegante).

acresce, ainda, oa miminhos pré-porta-fora, claro, com a minha cadursa. última hora: a val está a vomitar (tenho mesmo de ir embora. está bem, atraso um pouquinho).

gasolina. preciso de gasolina. (ui, ui, está a fazer marcha atrás, ui, ui). bateu-me e desfez-me a direita (mas anda? anda. então fique com os meus contactos e logo, por favor, ligue-me. sim, eu sei, não devia confiar, assim, no povo).

cheguei a tempo - antes de todos os outros colegas -, aliviada e orgulhosa por contrariar o perfil do típico português.

(cheguei faz pouco tempo e resolvi ofertar-me um presente. (está ao lume). esta reunião foi muito, muito boa para o meu bolso: sai uma feijoada, maravilhosa, para mim e uma canjinha, branquinha, para a val).:-)

Tuesday, 8 September 2009


nos intervalos do ter de fazer
fazer o que apetece
miminhos

são bolsinhãs para telemóveisinhõs, tabacosinhõ e isqueirosinhõs :-)

Monday, 7 September 2009

vale a pena ler de novo. :-D

O amor tem destas coisas: por vezes acaba – é bem verdade. É, quase, como o porquinho mealheiro: um dia fica cheio e há que esvaziar. E por falar em esvaziar, falemos de sexo que é coisa que o tal amor tem (pelo menos até ao primeiro tesão da manhã – dizem - que não é de “môr” mas de mijo) e acaba.


O sexo assume, por estes dias do século XXI, uma importância interessante entre os casais, confirmando a tal tendência, genuína, que ele - o amor -, tem destas coisas e acaba. Quem fica a ganhar com isto tudo é a língua portuguesa que enriquece (com estrangeirismos, é certo) e ganha mais uma nova palavra: swing.


Quem percebe da noite – aliás, da noite, de sexo e de swing – como eu, lembra-se, de imediato, da discoteca – tripeira, na berra dos noventa - do Parque Itália. De tal forma, que a tripa reage logo e o sexo pode ser de toda a forma - menos anal. (E o sexo anal é um tema tão excitante e, no entanto, tratado, tantas vezes, como recurso).


As minhas amigas - quando dizem que vão ver os verdes (ou as baleias, consoante a foda se processa em ambiente de arbustos ou de areia fina) - dizem sempre: não havendo preservativo, lá teve de ser no cu. (Quem disse que as galinhas são estúpidas?) Eu própria (confesso que há uns largos anos que me deixei disso) metia, no rabinho – sempre em último recurso da febre de ponta –, um supositório. Um bem-haja ao milagre anal. E à foda à moda de Monção: saia um arrozinho de pingo de cabrito, no forno, com cheiro de Domingo.


(Agora, perdoem-me - estou cheiinha de amor e de tesão por Ele -, vou ter de amar: o que sempre temera acabara de acontecer).



Sunday, 6 September 2009

é verdade, sim, que escrevo cartas a mim própria

(o chevalier de pas também escrevia). :-)

Saturday, 5 September 2009

o cúmulo do orgulho é desprezar-se a si próprio.


gustave flaubert


(o sorriso tem de ser praticado. tu disseste.)

Friday, 4 September 2009


há hábitos que não são vícios: são, da alma, as mãos.

Thursday, 3 September 2009


a multidão aguardava, ansiosa, o combate. e eis que, de helicóptero, visionário do estado do trânsito, chega paulinho da viola. alguns anúncios depois - convencido que os últimos são, sempre, de facto, os primeiros - o ring, ao rubro, recebe josé taborda

(e o combate? o combate eu continuo a aguardar: o paulinho da viola deu música e dançou; josé taborda foi sorrindo, mordendo em seco e cantarolando o refrão, pobrezinho, da cantiga da violação das regras do combate e a jornalista que está, com toda a certeza, na idade dos calafrios, gaguejou insegura).

e o vencedor foi... sinhã. isso. a sinhã que fez, em lãzinha, durante as pingas de suor que caíam no ring, esta bolsinha para colocar os óculos de sol. :-D

Wednesday, 2 September 2009


anonymous, do bondage, isto é para ti. :-)

Tuesday, 1 September 2009

se sonhaste, toma uma chávena de chá.

(os sonhos não se interpretam).

Monday, 31 August 2009


ela merece um tratado; ela merece tudo. :-)

pela noite, já sonolenta, é a primeira a pendurar-se no meu pescoço quando - com a minha voz meiguinha - pego nela e digo que temos de ir nanar para a caminha. é a primeira a suspirar para dormir.

de manhã, a mulinha, de mansinho, lambe aqui e acolá até eu pestanejar. e se eu digo " ainda é cedo vamos nanar mais um bocadinho", ela respeita-me e pára: mas arranja maneira de se colocar em cima de mim de forma a que eu não consiga respirar. :-)

está bem, vamos levantar. quem quer um presente? :-) e depois, de biscoito comidinho e tripas aliviadas, estica-se, consoladinha, a dormir.

olha que carago. merece ou não merece um tratado? :-)

Sunday, 30 August 2009

não percebo. não percebo o que vejo por aí.

não vejo esforço na recuperação do poder criativo do fogo. porque fogem, afinal, homens e mulheres, da realidade artística do lar?

que modernidade é esta que perdeu a noção de ritual e de cerimónia: abraça a comida enlatada e a burocracia?

recuperar a cozinha. sim, recuperar o espaço aonde se pratica a arte e a vida: aqui, conciliam-se os quatro elementos da natureza e mais um - a sensualidade.

na cozinha não há guerra dos sexos: há investimento de amor no amor e conversão de passividade em actividade - um grande gozo, de alma e de carne, comum.

eu sou cozinheira e feminina (!ai que orgulho! :-)): transformo e purifico através do fogo.

Friday, 28 August 2009


A quem pertence este dizer - que já me pertence, sabes? :-)

"Só fica apaixonado por mim
quem eu consigo apaixonar,
e eu para apaixonar alguém
tenho de estar apaixonada."

Thursday, 27 August 2009

Principais efeitos da corrente no corpo humano

Ocorrência

Consequência

Tetanização

Forte contracção muscular, impede a pessoa de largar a zona de contacto com a corrente.

Paragem respiratória

Dificuldade ou impossibilidade de respirar devido à contracção dos músculos relacionados com a função respiratória ou paralisia dos centros nervosos que os comandam.

Fibrilação ventricular

A sobreposição de uma corrente externa à corrente fisiológica normal, provoca a contracção desordenada das fibras do músculo cardíaco principalmente dos ventrículos. É a principal causa de morte.

Queimaduras

Dependendo da tensão, da intensidade e do tempo de passagem da corrente as queimaduras variam entre a marca eléctrica (pequena lesão) e a electrotérmica cujas consequências podem ser profundas e graves.



por estas e por outras
em qualquer estação
faça como as ondas do no mar
abrace a segurança-amor
amorança
e previna o curto-circuitar
seja a neve carbónica
seja o mar na onda
seja a onda no mar

Wednesday, 26 August 2009

vale a pena ler de novo :-)

Personagens

Deus (D)

José Sócrates (JS)

(a cena passa-se numa praia, naturista, dos arredores de Odeceixe. É verão e JS está de férias).

D

(com esgar de escárnio) chamaste-me e cá estou eu.

JS

(surpreso e com desdém) chamei-te?! como te chamei se nem sei, sequer, quem és?? identifica-te, por favor. tens cartão de cidadão?

D

claro que não tenho: não preciso. mas também duvido que mo dessem: ao invés de ser comprido - o nome - é curto demais: Deus.

ouve. pensa. o que acabaste de pensar?

(faz-se silêncio. enquanto – deitado, pensativo, costas para cima – apoia as mãos na cabeça, JS sente um sexo, duro, a penetrá-lo).

JS

(ofegante e continuando pensativo) mais, mais, toda cá dentro.

isso não é problema porque eu mando anexar - o meu grande orgulho que fica bem em qualquer situação - Magalhães.

D

(rindo) como vês, sou omnipresente: pensas – logo existo. (voz serena) venho para tu vires à vontade e sem medos – e sem referendos.

JS

(palavras trémulas) eu apenas estava cá a pensar, sem os meus botões, que me sabia bem, agora, aliviar-me um pouco da azáfama política que vivo o ano inteiro.

D

é isso mesmo. (riso pan american) e como tu és um homem passivo…

(continuam, lentamente, com o vaivém).

JS

olha lá, mas como vieste atender aos meus desejos se nem sequer acredito na tua eventual existência?

D

a primeira razão – devias sabê-lo como MBA que és – é que gosto de mostrar que sei gerir as minhas prioridades e de levar, até ao fim, tudo o que começo – não precisei de frequentar o ISCTE nem ser aluno do Paulo Rita, PhD. depois (e digo-to sem vergonha), também comungo da opinião que és o sexto homem mais elegante do mundo: (voz rouca) atrais-me muito.

JS

que bem que me faz ao ego, esse elogio. isso quer dizer que, a seguir, vais foder o Jude Law??

D

claro que não. gosto de andar sempre na mesma linha. o próximo será – se, igualmente, chamar por mim – o Hugo Chávez.

JS

(a pingar de suor) epah não contava, mesmo, com isto. já não sentia tamanho relaxamento há muito tempo…

D

sim - tu e o teu irmão -, percebo. eu sei que foi, nessa altura, no governo do Guterres, que ficaste com a tutela das pastas da toxicodependência, juventude e desporto. mereces isto: és um solidário. tranquilo.

JS

grato. de facto, a minha paixão pelo jogging não chega para aliviar este stress todo. de vez em quando também vou ao cinema com a mulher da minha vida mas…

D

eu sei, eu sei. com ela e com a Edite Estrela mas convence-te: nessas alturas estás, apenas, a aperfeiçoar o sexo oral. não menosprezes o resto.

JS

ah como tu me entendes! és um bacano. quem me dera que, também, o povo entendesse os caminhos que escolho.

D

calma, aproveita o momento e podes estar certo: todos percebem que escolhes o caminho dos neo-liberais europeus – ofereces as receitas da Segurança Social de Thatcher mesmo sabendo que faliram.

JS

é verdade, é verdade. mas, sabes, não gosto muito de dar cavaco das decisões que tomo.

D

(com sorriso matreiro) sim eu sei: tu preferes elogiar o Cavaco.

JS

(olhos fechados de satisfação) estou a vir-me, estou a vir-me. ai que bom, meu Deus.

D

missão cumprida. finalmente: acreditas em mim.


a escrita lambida, aqui, ofereceu-me este selo. :-)

(obrigada, joão Pedro. :-))

quanto às minhas recomendações, eu vou passando por uns, amiúde, e por outros, ao de leve: outrosmentos.

se vale a pena? vão e vejam. :-)

Tuesday, 25 August 2009


e não me canso de, ao olhar, perguntar qual, das duas, será a mais pequena.

Monday, 24 August 2009





quando resta nada: resta tudo.
restudo.


Sunday, 23 August 2009


é árvore. e dança.
é arvorança.


Saturday, 22 August 2009


curiosa a beleza de observarmos alguém sem que sejamos observados.
os pequenos gestos
- esgares de viveres -
assaltam-nos
com grandes verdades

(é isso: uma imagem vale, sem dúvida, mais do que palavras a monte).

e se vale a pena
vale sim
minhalma é tudo
menos pequena

. e avançar. avançar é, precisamente, o sinónimo de ver. é averçar.

Friday, 21 August 2009


ai que bom que bom que é
acordar
e os meus verdinhos regar
ir ao mercado regatear
a sorrir ao bróculo e ao alperce
e depois fresquinho fresquinho
sentir o cheiro do mar
ai que bom que bom que é
o peixinho amanhar :-)

Wednesday, 19 August 2009

olha, a minha avó vai ao tal centro espíritual que frequenta e eu não estou aí...vais com ela?

e lá fui eu. devia ter percebido mal a senhora me viu e pediu para eu trocar o cai-cai lilás (e lá fui eu vestir uma túnica preta) porque, segundo ela, os espíritos dos homens podiam sentir-se tentados comigo. Oh lord.

uma da tarde e lá estávamos nós no tal templo. três da tarde - aparecem os mestres, vestidos a rigor, acendendo as velas e fazendo saudações aos quadros nas paredes e imagens, ao centro, esculpidas. cinco da tarde e chamam-me. supostamente a medium incorpora a vóvó marilu e começa a dizer-me: salve deus, salve deus e pergunta. e eu, meia zonza pelo cheiro do incenso (que odeio) e pelo ar saturado, digo que fui acompanhar uma senhora e ela insiste para eu perguntar. está bem, aqui vai - e que tal está a minha mãe? mais rezas e tremelicos e mãos suadas nas minhas (inhac) e diz-me, segura, que a minha mãe está com dor nas costas mas que para a semana passa

(a minha mãe morreu há mais de vinte anos).

avançando (isto não me estava a acontecer), insiste para eu fazer mais e mais perguntas e digo: isto aqui não é um ninho de gripe A?

e diz, a tal vóvó marilu dos campos da amazónia e afins, que eu preciso de ir para uma sala com o mestre porque sou especial e tenho de me associar para ajudar a trabalhar energias. e enviam-me para uma outra figura carnavalesca: para eu deixar o meu nome completo. como? não deixo nada e largue-me porque vou embora. largue-me, já disse.

e aguardei, cheiinha de nojo, cá fora pela avó da amiga.

agora esfreguei-me durante muito tempo e aguardo que a sensação de penedo na testa desapareça.

hum. :-)

Monday, 17 August 2009

:-D


Já nua
- puxara, com gana
, o cordel da gabardina vermelha
e
tirara o capuz de cetim
- passa a língua nos lábios.
Vá, lobo mau
: ontem não fiquei satisfeita
...
hoje: come-me melhor.

Sunday, 16 August 2009

o nevoeiro cerrado está para o bom tempo como a merda está para a depuração.

(boa, anonymouzão?) :-)

Saturday, 15 August 2009


ao peito pendurado
no busto tão armado
rosas penas
um peixe
o que ela quer e precisa
para dias empinados
de brilho enfeitado
que deixe
que deixe

Friday, 14 August 2009

estou tão mal, sabes, tenho pedra nos rins.
deixa lá - eu também tenho pedra nos dentes.


(sou tão parva - acabei de dizer isto à minha irmã mais velha). :-)

Thursday, 13 August 2009

quem faz parar de respirar
é o mesmo que quer matar
entre a morte e a vida
entre o morrer e o ser morrida
a vontade de acabar
com o mar
nada deixar ficar
sem perfume sem rasto
morder a isca do passo
e cair
abraçar a mãe

Wednesday, 12 August 2009

e esta, hein?:-)

Tuesday, 11 August 2009


são eternas e são lindas
as sandálias que fiz pra descansar
mas não é por isso não
que não as vou usar
vou caminhar caminhar
usá-las até mais não
pôr-lhes o cheiro de mim
eternizar o chão

Monday, 10 August 2009


é certo. já disse: é certinho e direitinho. hoje, acordei com a certeza - certezinha absoluta - que há instrumentos, na vida, que tocam (ou deixam de tocar), em mim, para me tornarem uma mulher ainda mais fuerte, mais bonita, mais jovial

(para o instrumento que vai tocar a seguir ser afinadíssimo, delirante: um concerto). ;-)

Sunday, 9 August 2009

faz uma dezena de anos que o meu marido morreu.

(mas contacto-o, sempre, em trengoide@inferno.com.) :-D

Friday, 7 August 2009


a mrp tem razão? não há coincidências?
não sei.

(caga nisso: existem encontros e desencontros).

sei que ontem, no meio de um turbilhão, conheci um arquitecto, mesmo aqui ao lado, que se interessou, muito, pelo meu projecto.

as fotos, essas, levo-as aqui.:-)

Thursday, 6 August 2009

história de fazer c(h)orar


a vida tem destas coisas: coisas sem vida.

um desenho invertido de luz aonde não cabe a vida: só a cantiga.

a tinta vermelha que jorra na tela

deve-se a ela

e só a ela

por tanto que quer receber sem dar

e que sem jogar

joga p’ra não perder

usando tintas manhosas

cruéis e sem perdão

desenha sem desenhar

o mais bonito caixão

e ele que é o amor

o amor que é chuva e vulcão

filho da lua e do sol

cobriu com mantinha quente

a natureza cortante dela

ela que não é girassol

e óleo de pincel

que sem os dedos borrar

borra o amor que suja

o amor dele que é mar

e abandonado ficou

com a estrela da tarde sonhada

que tantas vezes sem cantar

ela cantou encantada

e agora sem dó nem lá

não o quer mais é gelada

e a tela pintada a pincel

tão tão inacabada

jorra tinta vermelha a ele

que de coração partido

com a vida vai noutro sentido

o do sentido negado

o do vermelho proibido

o do sonho perdido

quem me dera. ai! quem me dera - poder lamber, como a minha cadursa, a minha vagina quando, como ela, estou com o sangue

(vou pedir a alguém, na praiinha, que me parta duas costelas ou três).:-D

Wednesday, 5 August 2009

pensinhar

curiosa a conversa, de ontem à noite - no d. juan - , sobre no que devemos pensar quando, para ficarmos melhor, nos sentimos mal .

e diziam: "eu penso sempre que existem pessoas piores do que eu - acamadas, doentes; que não têm onde dormir; que não têm trabalho nem o que comer".

e eu? eu que penso que pensar é tão bom e penso nada disso: pensar no mal dos outros para me sentir melhor faz-me mal. eu penso (se for possivel e depender de mim) em como posso limpar a caca a um acamado; dar xarope a um doente e encher a despensa de comida a quem não tem o que comer.

é assim que pensa a sinhã.:-)

Tuesday, 4 August 2009

tolice! tolice é descobrirmos que temos um cancro, com tão tenra idade, e sabermos, durante a caminhada no deserto, que não podemos correr até ao oásis.

(quem diz que eu sou demente -ponha o dedo no ar).:-)

Monday, 3 August 2009

já descobri porque gosto de usar, com jeans, camisas de noite e robes de cetim.

(é para a noite não ter fim. ai de mim!).

Sunday, 2 August 2009



e ouço, amiúde, "a cama que fizeres é a cama aonde te vais deitar"

(e se eu fizer a almofadinha, assim, tenho direito a uma caminhã brilhante?) :-)

Saturday, 1 August 2009


com brilho e delicadeza: comer

Friday, 31 July 2009


o dia que vem a seguir à noite não é um dia novo mas antes o prolongamento da noite
que não deixou os sentidos morrer
e embala-os agora a matreira
e é isto que é o dia
a vida que a noite vai ter

Thursday, 30 July 2009

se existe um rei do universo, com poder absoluto, então deve andar confuso - digo eu - para ser tão injusto.

(que vá cagar).

Wednesday, 29 July 2009

é por sentir a quentura
enrolada no meu pescoço
dos pelos quentes e meigos
da preta que vela o meu sono
a mais preciosa preta
que ponho tanta vez
o pé fora do lençol
a receber o ar
em lufada e fresco
que me faz a preta amar
e amar
e amar

Tuesday, 28 July 2009

maturidade é...

não quero.
então está bem: eu também já não quero.
como? eu não quero - mas tu tens de continuar a querer.

Sunday, 26 July 2009


lascívia contente labéu de brilho que reluz a tristeza ficou doente bateu-lhe a morte à porta truz truz truz lascívia senhora do lugar do monte levas-me à vaca de sonhos na rota e no horizonte

Friday, 24 July 2009


é verdade: quando duas mulheres, picantes, se juntam para um post, picante, resulta assim - numa com (atchin) pila (atchin) ção de fotos e de palavras que até faz sede.

(quê, vais dizer-nos que não tens sede?)

estão sensualíssimas estas fotos fálicas, guidinha. tanto que fiquei cheiinha de tesão para mexer nelas e metê-las, aqui, com todo o cuidado. ai que prazer tão grande! ai que picanço frenético que estou a sentir. :-)

eu cato
tu catas
trailailailailai

:-D
chocarmos com alguém - à semelhança de batermos com a fronte num posto de transformação -, na rua, pode ser até muito bom: indício de uma tarde e início de noite (de muita conversa, petiscos e riso) fabulosas.

( é o que vale andar com o coração limpo e sem raiva a correr nas veias.)

amanhã há mais. ;-)

Thursday, 23 July 2009


e Deus
que se confunde
nas árvores e na água
e até nas cagadelas das pombas
diz assim
ela foi um presente que te enviei
e que agora estás a devolver

Wednesday, 22 July 2009

o que se faz quando...

para ajudar alguém, deixas de fazer algo importante (mas que deixas de fazer porque ajudar torna-se a prioridade) e - para além de ficares com o que tens para fazer - ainda tens prejuízo: apanhas uma multa e vês-te, sozinha, às tantas da madrugada, numa rua escura e suja e tentam assaltar-te para, no fim, toda a ajuda que prestaste não dar fruto - tudo volta a ficar como estava.

(à excepção do trabalho que acumulou; da coima que tens de pagar; das dores no corpo pelo frio e chuva que apanhaste; do sono descontrolado e, claro, pelo susto de te quererem roubar).

Tuesday, 21 July 2009

o aniversário do meu pai é um acontecimento fabuloso. durante todos os dias do ano penso nele e na força que tem - e me dá - e na coragem, de dragão (ai que sorriso o meu), que me serve de exemplo tão feliz. mas é neste dia, no dia em que celebra mais um ano de vida, que me sinto abençoada e o abençoo; que me dispo do que me faz comichão para vestir a camisola, suave e fofinha, do amor.
o meu pai - o homem que tanto admiro e que faço questão de pendurar na parede, no tecto e no chão - ama-me. incondicionalmente.

(gravatas? camisas? perfumes? caguem nisso, manos. eu já comprei o que vou oferecer ao meu pai: uma cadeira de executivo porque é ele quem se senta na sala do director para gerir a maior, mais rica e melhor empresa do mundo - a família).

:-)

Monday, 20 July 2009

estava agora a pensar quando é que o arroz de marisco pode ser confundido com o arroz de pato

(quando é à gola).

Sunday, 19 July 2009

está a nascer um capelo ondulado, comó meu, na orelha da minha cadursa.:-)

(terá sido por, finalmente, ter conseguido cortar-lhe e limar-lhe as garras (de gata)? (ainda vou saber fazer-lhe tranças.) agora quando vier pousar, nas minhas mamas, já não preciso guinchar.) :-D
mais livre e mais solta
como se desse um salto

para passar um abismo
sem chão e sem ar
ai casa do capitão
desaguar
desaguar

Saturday, 18 July 2009

é como se parada, no meio de uma rua em movimento caótico, aonde as pessoas têm cabeças de serapilheira com agulhas grossas e cheiro a mofo, se se esbarrassem comigo e não dessem conta. apenas eu e o meu veludo acetinado de seda natural.

(é assim o acordeão da loucura).

e tocas, afinado, acordeão
que queres mais tu
o meu pé
porque já aí tens a minha mão



Friday, 17 July 2009

pensava (enquanto cagava), que as sanitas deveriam ser redondas e ao centro para podermos andar em círculos - como os cães

(é por isso que existem tantos obstipados: não ficam ourados). :-D

Thursday, 16 July 2009

palavras suspensas por um fio
em xilofone de letras
tlin tlin tlin
dó de mim
lá de si

dódemimládesisó

Wednesday, 15 July 2009

faz toda a diferença colocar, num castiçal elegante e poderoso, velas redondas (e baixinhas) em vez de esticadinhas

(e a diferença é, bem visto, um factor de cera. será?).

Tuesday, 14 July 2009

em pontas do sentir
e vestindo a saia de tule
desliza devagar
fazendo piruetas de sono
e de riso
assim
quase perfeito
com atilhos de cetim
na perna carnuda e delicada
em pontas do sentir
e cabelos enrolados
desliza devagar
bailado de perfume
que enches o ar
em pontas do mir
cetim de dormir
tule de carpir
perfeição de sentir

Sunday, 12 July 2009

a voz, primeira, sussurrou: correr cinco minutos por dia faz-te meditar
(e que bem que te faria)
;
a voz, segunda, gritou: não sacudas o ombro - os pensamentos têm vida
(voar em vez de correr não te deixa morrer).

e, em sintonia, sorriram as vozes da ópera?
sim, chorriram.

Thursday, 9 July 2009

por tanto que a agarrei
e apertei e babei
a noite fez entranhar
o cheiro no meu acordar
cheira a cabelos e a mãos
sabe a mil mimos de chãos
está guardada é um tesouro
para abrir sempre de dia e de noite
tem sim a força de um touro

Wednesday, 8 July 2009

te voy a escribir la cancion mas bonita del mundo.

(prometo que vou fazer-te rir e chorar en tan solo un segundo.)

Tuesday, 7 July 2009

os teus, lindos e sedosos capelos, são iguaizinhos, minha querida, aos meus. eu sei que é isso que os teus olhos, de admiração, estão a dizer-me. :-)

Monday, 6 July 2009

sesabesquearaivaquesintonãoéportinemparatiporqueficasassim?
porqueeuestoucheiademedodeumdiaacordarenãosaberperdoar.

Sunday, 5 July 2009

aquece bem o forninho
enquando dás corda aos dedos
e puxas pela imaginação
(já chega de dormitares
enquanto vês o avião)
depois faz um creme de mousse
bem grossinho um apetitão
(sem água sem leite e apenas
um pacote de natas pois então)
mexe muito até reparares
que do cimo não salta p'ra agarrares
então busca a massa folhada
que bem bem arrumadinha
repousa para quando surge assim
uma ideia docinha docinha
embrulha a mousse na massa
e a cento e setenta graus
deixa-a morenar um quarto d'horinha
(e não esqueças a ventoinha)
e depois finalmente eis
a tortinhã moreninha
de domingo com chá
cheira a doçura e sabe a amor
melhor receita não há

Saturday, 4 July 2009

há quem lhes chame ameixos - para mim são ameixas. E adoro-as

(tanto, tanto, que fico com o rabinho inflamado).:-)

Friday, 3 July 2009

um devaneio de treze linhas. sim: um pequeno devaneio que o tinha - por breves instantes - assaltado trazia-o, agora, de volta à realidade: estavam a arrancar o fio de ouro e os brincos de diamante da sua mulher.

as jóias que miss sarah usava naquela noite eram, de facto, raras: tinham a capacidade de embelezar um rosto e busto tristes e amargurados pelo fado-carrossel da vida social que se lhe impunha – o que escapava aos olhos, apaixonados, de edgar. naquele momento - de gestos e palavras soltas – , entre um esgar descontraído e pensamentos fingidos, o ladrão – de olhar sereno e brilhante – parou. (e parou, não por receio ou irreflexão, porque viu. viu o olhar da mulher e viu, igualmente, o palpitar do marido – um palpitar de ciúme emoção.) e o cc, ladrão, cantava, sorrindo, assim:

“foi por isto que cá vim

não vim com intenção de roubar

vim por vocês esposos

vim p’ra vos fazer pensar

que neste mundo inteirinho

não existe riqueza igual

à de um olhar profundo

e despido de metal

agora edgar pensa

no sorriso da tua mulher

que dispensa o pé de dança

a ti só quer ela ter

as joías levo-as comigo

vou enterrá-las no quintal

a ver se nasce uma árvore

que dê flor, frutos e tal

agora edgar, pensa

no sorriso da tua mulher

que dispensa o pé de dança

a ti só quer ela ter (…)”

o dia nasceu e miss sarah - despida de jóias e de protocolos - regressou a casa, com sorrisos limpos e olhos de amor por fazer, com edgar; o ladrão - de tristezas -, guardador de sonhos e esperanças, sorriu também. feliz e cumpridor do roubo do par pensava, agora, no próximo ataque.

não é verdade, de todo, que tudo o que sobe também desce.

Thursday, 2 July 2009


mudam as águas
em paisagens tranquilas
e livres como o vento
são as aves de destino morno
que penam as penas que pena
quando as coisas simples as fazem sorrir

Wednesday, 1 July 2009

combinação perfeita: o rolinho de fiambre a penetrar-me os dedos do pé

(e ai, ai, ai
que bom que é). :-)

Tuesday, 30 June 2009

é verdade que vês, amiúde, a loucura?
sim, é. são pequenos repentes de cor fluorescente, sem cheiro - mas bastante sentidos.
e como os sentes?
são uma perna cortada e depois a outra e o pó a rasgar a carne e a carne a limpar o pó.
(entretanto as pernas cortadas dançam, alegres, fora do tronco).
estás a dizer-me que a loucura é uma espécie de arraial?
sim, é isso: arraiura.

Monday, 29 June 2009

tremem muito, sim
numa escalada sem fim
se vão parar e deitar
hoje é um dia
amanhã vem outro
entre o cansar e o cansar

Saturday, 27 June 2009

ouço ao longe o sabor do piano
um som que sabe tão bem
vejo que me toca suave
o cheiro do desdém sem
na minha cabeça passa
as mãos com dedos porém
cheiro ao longe como seria
ouvir o toque
sentir o som
olhar o cheiro
e engolir o piano
de cauda comprida e brilhante
que só do avesso reluz
diz-me tu piano sábio elegante
guardas-te na estante
vives para ser galante
seduzes quem te seduz
para sempre tocarás ao longe
piano do meu canteiro
de cauda comprida e brilhante
toque e cheiro de estante
mel em frasco picante

Friday, 26 June 2009

lei da sinhã

a maior prova de amor que podes dar a alguém é limpares, com afinco, a sua merda.

Wednesday, 24 June 2009

se eu tivesse vontade pintava, agora, a lápis de cera, uma gravura redonda de 1702: escargot.

(mas não tenho. azar. pinto logo ou amanhã; ou então não pinto - ou pinto quando me apetecer. o que importa isso? nada, claro: os meus olhos não vão cegar nem os dedos - de vaidade - vão ficar sem se mexer.)

Tuesday, 23 June 2009

quando eu era tenrinha -no tempo em que se usava, misturados, dourados com prateados e em que a hora , ao sábado à noite, do "espaço 1999" era sagrada -, o meu castigo mais apertado (e molhado) era ficar na entrada do portão, enquanto os meus irmãos ficavam, quentinhos, da janela a acenar-me, à chuva.

(eles não sabem, até hoje, que eu chorava pelo tempo que passava tão rápido e pela chuva, fresquinha, que deixaria de apanhar - porque entretanto a minha mãe descobria e ia buscar-me).

Monday, 22 June 2009

subir alto o pé de feijão
sem mãos e sem pés
é tentar o coração manso
inverter o enforcado
imaginando um cavalo alado
que voa nas coisas do mundo
do seu e do meu
e usa uma pérola
a pérola verde

Saturday, 20 June 2009


as tranças da minha menina
sabem que está a chegar
o dia em que sem forças
se entregarão ao cortar

Friday, 19 June 2009

o mar, hoje, deve ter-se aprumado: abraçou-me - o seu cheiro - mal eu abri a janela.

(ou será o meu nariz a querer sal cristalino?)

Wednesday, 17 June 2009






olho meu

olho meu
existe alguma coisa que não estás a captar?

Monday, 15 June 2009



maldito sejas
superlativo absoluto
que te desviaste de mim
e do ser pequena
e do ser magra

(agora podia estar a viajar, bem ao jeito russa, na máquina de lavar para, desta feita, arejar a cabeça e, quem sabe, as nódoas dela minguar)

porque fico só a olhar
rodar rodar rodar
tudo não perco
é certo
fico com o ourar do rodar

Sunday, 14 June 2009


a melhor forma de tolerar o que não gosto é mostrar o nojo que sinto

(aqui está um sinónimo de vómito controlado).

Friday, 12 June 2009

outra noite de insónias.
a primeira namorada, do meu pai, que conhecemos era ternurenta. nunca a levou lá a casa (obrigada pai) mas, de quando em vez, estávamos com ela: fazia-nos bifinhos enrolados - recheados com presunto e ovo - com um palito. na altura foi uma pena o meu pai gostar, apenas, de ela

(eu também gosto de mousse de chocolate: fico, com duas colheres - de tão enjoada -, satisfeita).

Tuesday, 9 June 2009


o movimento das árvores
pela minha janela
que dá para os céus
traz-me brisa de melodia
e música de ventania
as árvores pela minha janela
que emolduram o meu olhar
abanam para fazer-me sorrir
páram para ouvir-me chorar
no céu das árvores da minha janela
só entra a brisa do acordar
e abre-se sempre a janela
para eu poder sonhar

Monday, 8 June 2009

inCUerência

curiosa a arquitectura, fálica, do baptisfério aonde, em uníssono, nos pedem para dizer não ao rabudo.:-)