
Thursday, 17 December 2009

Wednesday, 16 December 2009
aonde ninguém passa
entra o sonho
o poeténioista
pedaços de encantos teus
voos de desejos meus
magias de abertas
asas que me perdem
que sobem sobem
e subindo no sentir
lágrimas do cair
na minha rua secreta
entras sonho
entras homem
aqui só para mim
Tuesday, 15 December 2009
(senão ela não dançava tanto enquanto dorme).:-)
Sunday, 13 December 2009
(mas em casa não chove. ou, pelo menos, sempre que chovo, não preciso dele).
agora penso que um guarda-chuva em casa é como um amor guardado e não usufruído
(ocupa espaço).
nota: já estão prontinhos os fantoches para o du e para o vasquinho
(afinal de contas nunca fez mal nenhum a ninguém celebrar o que quer que fosse. celebra a mentira em que vives).
importante: já está decorada a minha agendinha para 2010
Saturday, 12 December 2009
(é quase como quem chega à conclusão que prepara toda uma festa e, no final, não é convidada).
Friday, 11 December 2009
Sorrir é algo só reservado a quem ama. Quando não se ama, sorrir é apenas dentes a descoberto
Diário de um Humano
07/12
A tristeza de não ser mais do que aquilo que deixei de ser. De não fazer mais do que aquilo que deixei por fazer. Sou os sonhos que não realizei, os passos que não dei. Sou a vida, sim, que não vivi. E é assim que vivo, entre pensamentos de que sou e a lucidez, sempre temporária mas sempre triste, de que não sou. De que não consigo ser. Os dias, lentos e parcimoniosos, são leves brisas de tempo, folhas que o vento, sem esforço, carrega para o destino final. Escrevo porque só sei escrever. Escrevo porque nada sei fazer. E aguardo que, letra a letra, se vá, imagem a imagem, o sonho prometido. E aguardo que, sonho a sonho, se vá, promessa a promessa, o destino ansiado. Sou, mais do que o que sou, o que não sou: o que não fui capaz de ser. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Meio escritor, meio humano, meio poeta e meio insano, meio senhor, meio criança, meio sorriso na meia infância. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Fui o quase génio, o quase artista, o quase pedinte, o quase louco. Fui quase feliz, quase gente – o triste demente, quase. Sou quase, sou meio. Porque sou, mais do que o que sou, o que não sou. Porque sou, mais do que o que sou, o que não fui capaz de ser: o que não sou capaz de ser.
08/12
Ao jantar, gente em tumulto no centro de comércio tumultuoso. Por detrás do balcão, um jovem de borbulhas no rosto e uma jovem de carnes em chamas jogam o jogo da sedução. Um sorri pelo sorriso do outro – e ambos julgam sorrir pelas palavras que dizem ou ouvem. Sorrir é um estado de alma – um estado em que o que se vê é tudo: excepto aquilo que se vê. Sorrir para quem se ama é a mais fiel das provas de amor. Sorrir é algo só reservado a quem ama. Quando não se ama, sorrir é apenas dentes a descoberto. Entendo o que eles, actores em pleno acto de representação, não entendem. E deixo-os continuar. Peço o que tenho a pedir e percebo que o que ele, o que me atende, apontou é completamente diferente daquilo que eu pedi. E deixo-o continuar. E deixo-os continuar. Ela vai limpando a máquina de café e limpando-se a alma, esgueirando-se de corpos tocados e de olhares trocados para os olhos dele – que continua, sorriso por sorrir, a olhar-me para a continuar a ver. Despeço-me com a refeição que não pedi e sei que vou sorrir como eles sorriem ao imaginar os sorrisos que eles vão continuar, sem mim como sempre estiveram, a sorrir. Ainda visito, de relance, os olhos uma última vez, por detrás do balcão, a amarem o chão que um limpa e o tabuleiro que o outro prepara. Nada do que fazem deixa de ser o que sorriem. Porque amar, quando se ama, não passa de tudo o que é. Porque amar, quando se ama, não passa.
09/12
Escrever as letras –
para riscar as lágrimas.
Um dia, todo um dia, a olhar para a letra que se une à letra, para o texto que se une à fuga. Um dia, todo um dia, à espera de um motivo para mais um dia.
Pedro Chagas Freitas
Thursday, 10 December 2009
Foder amor.
Nem foder nem fazer amor –
foder amor.
Foder-te
como à mais puta das putas.
E amar-te
como à mais única das amadas.
Foder amor.
Chamar-te puta
e dizer-te amo-te,
espancar-te o sexo
e afagar-te o beijo.
Ser o doce e a fera -
a treva e o raio.
Foder amor.
E só assim,
entre um grito e um afago,
foder-te com amor:
fazer-te amor.
Wednesday, 9 December 2009
(talvez, assim, pudessemos ser, mais ainda, uma só).
Tuesday, 8 December 2009
(é o que me apetece dizer a umas e a outras que corrigem o meu trabalho).
Monday, 7 December 2009
(vou investigar)
Sunday, 6 December 2009
(e os bebés não têm consciência e não sabem ouvir plim). :-)
Saturday, 5 December 2009
os meus lírios brancos d'agua
que um dia tropeçaram
em ti
caem como folhas
em árvores nuas
os meus lírios brancos d'água
que um dia se renderam
a palavras tuas ti
rebentam ao pousar
na sinfonia do silêncio
os meus lírios brancos d'água
são doces carregados de sal
salgados de doçura
cheiram a erva cortada
sabem a terra molhada
os meus lírios brancos d'água
Friday, 4 December 2009
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!"
(é a isto que se chama curso pré-defuntal. estás a pensar se já defoste?)
Thursday, 3 December 2009
(não é justo. afinal, as árvores só se despem de fruta para se voltarem a vestir).
Wednesday, 2 December 2009
na tal
foi na tal
quadra sem retratos de brilho
e sem cor
que a mancha
um dia chegou
cinzenta de nevoeiro
preta de dor
na tal
foi na tal
que os anjos despiram as asas
e sem elas rastejaram
cobras de arrepio
frio
facas de gelo vadias
na tal
dias de oração
trouxeram castigo
levaram o ombro
roubaram o colo
romperam o solo
na tal
foi na tal
que um dia sem cor
a mancha chegou preta
de dor
e deixou de ser natal
Tuesday, 1 December 2009
quando a luz fica vermelha, está o caldo entornado. melhor: quando a luz fica vermelha, não há mais a fazer do que parar, deixar arrefecer e regar. foi assim, mais uma vez, ontem à noite, a caminho de casa. aproveitei (durante o tempo que estive parada numa bomba a aguardar - não a luz verde - que o vermelho fosse embora) para escrever estas linhas e não dar, assim, pelo tempo passar.
(demorei dois segundos a escrevê-las e o resto do tempo a pensá-las)
não me restam dúvidas: o amor e a arte, por não poderem ser apressados mas sempre materializados, são iguais.
Monday, 30 November 2009
o fado
triste
a passar no vinil
que já nem sequer existe
.
Saturday, 28 November 2009

os gays do monte bramam para atrair (homens) porque sentem vontade de dar peidos uns com os outros logo pela manhã.As lésbicas da planicie gostam da urina das outras logo pela manhã.Os bissexuais gostam do cheiro do cu dos outros logo pela manhã.E eu de que cheiro gosto ? So se for do perfume de excrementos de vaca!!!!!!!!!!!!!!!!
Afonso
Friday, 27 November 2009
Thursday, 26 November 2009
ai que esta beleza não cansa a minha. :-)
Tuesday, 24 November 2009
quem o escreveu?
"O corpo é a mais previsível das composições musicais: tocas aqui, desencadeias algo ali; desencadeias algo ali, provocas algo acolá. Cada corpo com a sua melodia: sempre previsível. É isso conhecer alguém: decorar-lhe as notas, as modulações, as entoações certas para cada segundo a dois. O outro lado de já conheceres, de trás para a frente e da frente para trás (literalmente: em ambos os casos), o corpo de alguém é só um: tédio. Tu sabes: uma música, ouvida vezes sem conta, não deixa de ser uma música que amas; mas não é por isso que não deixa de ser, também, uma música que, dia após dia, te custa mais ouvir. Ama-la – ama-la demais (e, de cada vez que a ouves, ganhas ainda mais consistência nessa certeza: ama-la); mas custa-te ouvi-la, custa-te continuar a ouvi-la: estás gasto dela. E não queres, em ti, gastá-la ainda mais. Então procuras: músicas novas; nem que menos agradáveis: novas. Músicas que não amas – no máximo: gostas. Mas que ouves – e que ouves como uma criança descobre um brinquedo: eufórico, entusiástico. A criança que ama um brinquedo – o brinquedo velho pousado a um canto é o que ele, mesmo não o parecendo, ama de verdade: o que ama. E é tudo. Os outros, os novos, aqueles com que ela perde o dia e os dias, são meras melodias passageiras. Ela sabe que, quando chegar a hora de escolher (e chega sempre a hora de escolher), vai escolher o velho – o que está encostado há anos num canto sombrio, mal-cheiroso e bafiento do sotão. Como tu: sabes que, por mais tédio que te cause, é aquele, o único, o amor que amas. Sabes que, quando chegar a hora de escolher, vais voltar a ele. Só não sabes – não me digas que ainda não tinhas pensado nisso – é se ele estará lá a essa hora. Excitante, não?"
Monday, 23 November 2009
receitinhã :-)
para cerca de dezasseis almofadinhas:
massa quebrada pronta ou 250g de farinha; 125 g de manteiga, 1/2 dl água; 1 ovo e sal;
(eu faço tudo a olho mas vocês, já sei, precisam de conta e medida). :-)
a) trabalhar a massa da farinha com as pontinhas dos dedos;
b) deixá-la descansar, tapada, durante duas horas;
c)ligar o forno a 180º e deixar apurar, numa frigideira, o frango (previamente cozido e esfiado) e o bacon em azeite, sal, alho, pimenta branca, salsa e louro;
d) cortar a massa em círculos grandes e depois em metades;
e)pincelar as metades com a seguinte mistura: ovo+azeite+alho+polpa de tomate;
f) espalhar o recheio de frango e bacon, dobrar e unir com os dedos;
g)pincelar com ovo batido e levar ao forno (fazer estrias, com o garfo, nas extremidades, vai muito bem);
h) sentar no chão (ou em cima da mesa) e comer as almofadinhas, com sumo de laranja natural, é a garantia de um dia excelente.
arrotar, arrotar. :-)
Sunday, 22 November 2009
Saturday, 21 November 2009
"Sou um guardador de rebanhos
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz."
Friday, 20 November 2009
(é esperar o dia em que o saco do nada fica roto e deixamo-las irem pelo ralo. ontem, patrícia, foi o teu dia e ainda nem sabes. parabenizo-te).:-)
Thursday, 19 November 2009
reinava a leveza
a pureza
o amor
e ele
despido
nos braços carregava com ela
vestida de branco-sala
que aguardava com os sopros
e com dança
os sopros dele e nossos
brisas de vida
regressar do sono longo
da morte
Wednesday, 18 November 2009
Tuesday, 17 November 2009
é
acordar a sorrir
depois de um tormento
receber na língua dela
uma fruta
um rebento
resistir à chuva e ao vento
mirrar a mancha
crescer a prancha
do mergulho no mar
a fé é isto
é
beijar a lama
beijar o pé
Monday, 16 November 2009
(tanto que, ao fugir dela, vira espanhol - bate no de trás, bate no da frente e volta a fugir. ainda vou fazer uma tese sobre o sol como variável exógena do tráfego rodoviário).:-)
Sunday, 15 November 2009
preto é o meu
e o dela
com preto estou
na janela
em branco a vê-lo passar
serás preto branco da alma
tu que és branco
no peito
feitiço de amor
sem proveito
amor do meu sonhar
a preto e branco sem tela
tu que sem mim e sem ela
sorriso branco de areia
mar de cor p’ra banhar
doce loucura dormente
chá excitante preto
contigo eu sei que não esqueço
vives branco sem pesar
tu que és branco
no peito
feitiço de amor
sem proveito
amor do meu sonhar
lilás eterno escrito
branco do choro aflito
preto do meu andar
de rosa branca ao peito
preto preto do meu leito
branco branco do meu sonhar
tu que és branco
no peito
feitiço de amor
sem proveito
espada do meu amar

Friday, 13 November 2009
(almoçar arroz de pato e ir à casa de banho e, ao dar de caras com uma máquina de preservativos, andar à procura do coiso para secar as mãos.)
Wednesday, 11 November 2009
cidade maravilhosinhã :-)
(qual feita qual quê?) ;-)
pede-me os documentos e, eu, ponho a minha imaginação prática a trabalhar. senhor agente, estou meia perdida e atrasada para chegar à zona industrial de sande, vila nova. que engraçado, o senhor agente é mesmo parecido com o meu irmão. mas não ligue ao que eu digo porque estou meia confusa, aqui, às voltas desde as dez...
(explicou tudo - documentos e infracções p'ró tecto - e, depois, sorridente disse: venha a trás de mim que eu levo-a lá). :-D
e que rápido foi. já na fábrica, visita concluída e documentada, diz-me, depois de alguns olhares matreiros e convencidos, o director: gostava muito que almoçasse comigo se já acabamos
(muito obrigada mas tenho de almoçar com a engª valquíria que está à minha espera). :-D
é caso para dizer: ai, pedro, que cidade maravilhosinhã é guimarães. :-)
Tuesday, 10 November 2009
Monday, 9 November 2009
canção de uvar
são uvas
as meninas dos olhos teus
são sumo de tolice
são uvas amor
são uvas
redondas de tanta meiguice
são o douro em água rasteiro
são uvas amor
são uvas
raio de sol domingueiro
são tuas as uvas
são tuas
são tuas amor
as uvas
as meninas dos olhos teus
Sunday, 8 November 2009
resposta, cantada, ao livra! no Aspirina b
:-)
ora aí está uma boa analogia para a cultura popular: grosseira (tal e qual os peidos devem ser: curtos e grossos).:-)
parabenizo-te, livra! - eu que sou, orgulhosamente, do povo - por inventares uma nova categoria social: a da inteligência sem peidos.:-) sim, senhor. fiquei a saber que os peidos são pertença do povo (interprete-se com a devida conotação negativa que dás ao povo) e, portanto, uma má prática libertadora. (será daí que vem a tua frustração?)
quanto ao depenar-me... junta-te a outros tantos como tu e podes brincar ao peido de ferro comigo. que dizes? talvez, assim, percebas que a arte contemporânea só é uma feliz influência da cultura popular e, desta feita, da libertação. dos peidos. :-)
os peidos são amor, meu caro (não sabias?), e há que escrever, mais e mais, acerca de. é que de falta de nobreza andam os media cheios.
(gostei tanto do que, aqui, escrevi que até vou copiar-me e fazer um post).:-)
Saturday, 7 November 2009
(comeste quatro e, de beiços lambidos e sorriso rasgado, coxas afastadas e frutas centradas, amoramos até agora: tralarailailai). :-)
Friday, 6 November 2009
(e tu, já enfrentaste o touro hoje?)
Wednesday, 4 November 2009
proustrado?
(se o gajo fizesse ideia de quantos seguidores tem tinha escolhido viver sempre e, hoje, era um blogueiro do caneco). :-)
Monday, 2 November 2009
Saturday, 31 October 2009
(aprendi como tirar a pele, de uma só vez, aos linguados. é, assim, conforme contam, como fazer depilação a cera). :-)
Thursday, 29 October 2009
(valquíria, minha deusinhã, és poderosa).:-)
Tuesday, 27 October 2009
o divã de edie
(há pessoas finas. finas como uma couve).
como eu estava a dizer, edie é uma rapariga culta: passa, amiúde, pelo aspirina b e deita-se no divã. edie fala da pátria - herdeira de trunfos e de desilusões, fantasiadora de histórias e criadora de realidades -, de camões - por mares nunca de antes navegados - e, até, do último romance de josé saramago - que não é muito extenso (nem poderia sê-lo porque necessitaríamos de mais fôlego) -: literatura em estado puro.
edie precisa de desabafar e deita-se no divã. edie não ri e não gosta de ver rir: edie assume-se dura e com uma carapaça inquebrável porque, afinal, são assim os pseudo-intelectuais – fazem psicanálise barata quando são eles que, sem perceberem, estão deitados no divã. e no divã de edie não há espaço para piadas de pilas voadoras nem de peidos; edie aprendeu, desde tenra idade, que devem fazer-se, apenas, leituras literais.
Saturday, 24 October 2009
puta que pariu o porco!
(uma hora de antecedência deve dar para a viagem). esperava-me mais um caminho das cabras, muita chuva, música aos soluços e, apenas, pontos de referência que anotei, a vermelho, na minha agendinha: desta vez, rumo a uma fábrica de charcutaria.
(calma, não lambam, já, os beiços. aguentem mais um pouquinho).
tudo controlado; tempo dentro do tempo estipulado. ai, ai, o que está a acontecer? por segundos, esqueci – varreu-se-me da cabeça a ligação dos pés aos pedais -, troquei tudo. como é possível que uma simples falha de memória possa transformar-me, ao mesmo tempo, numa assassina e numa morta.
(e sim: é nestes casos que ser assassina, imediatamente antes de morrer, compensa).
adiante. fábrica à vista. máquina fotográfica em punho e o meu sorriso por não me sentir, uma delas, salsicha. (não?)
ouçam: aquele pãozinho, quentinho, que barram com manteiga e juntam fiambre sabe-vos bem? e se em vez do fiambre imaginarem uma couraça - amassada durante horas a fio e depois cozida – de porco? (qual fiambre da perna e da pá qual quê - só se for do couro da perna ou do couro da pá porque a percentagem de carne é quase invisível). quinhentos porcos, às metades, pendurados pelo cachaço e um cheiro nauseabundo; pedi para esperar mas não assentiu e saiu: vómito.
(ainda lambem os beiços?)
apressei a coisa e esperava-me mais um caminho das cabras, muita chuva, música aos soluços e, finalmente, a alegria de voltar a casa. portão da entrada e o director da farmácia – a quem apresentei uma reclamação escrita e que, por causa disso, cospe, até hoje, sempre que passa por mim – a passar. a tentação: acelerar e amassar-lhe o couro até virar fiambre; a reacção foi contrária e travei porque, de repente, vi metade de um porco a andar.
(é ou não é” puta que pariu o porco!”?)
:-)
Friday, 23 October 2009
o que eu quero dizer é que o sexo masculino é bem mais giro do que o meu. está bem que o meu é uma espécie de fruta em tela mas o vosso, homens, é algo moldável; uma espécie, assim, de barro sem deixar, igualmente, mas a 3d, de ser fruta.
depois existe A pila. essa, então, além de barro e fruta, é, certamente, o pedaço de carne com mais alma do mundo. eu tenho a certeza que A pila faz poemas.:-)
Thursday, 22 October 2009
pois. o deus da bíblia não é de fiar. palminhas, saramago.
o deus da bíblia é um autoritário: criou o homem e exigiu-lhe que dominasse os peixes do mar, as aves do céu e os animais que se arrastam na terra
(e ordenou que os comesse quando a fome apertasse, claro).
mas esse deus também é sexista: criou um homem e depois decidiu que o homem que andava nu precisava de uma companhia - criou a mulher e vestiu-os de peles, claro
(alguém teria, depois, de passá-las a ferro).
ai. o deusinho da bíblia andava preocupado com a performance sexual, com a carne do prepúcio, daquele que criou à sua semelhança
(de outra forma, para que mandou circuncidar os meninos de treze anos?)
palminhas saramago: esse deus ordenava homicídios e proclamava as concubinas
(e os guisados).
pronto. não vos chateio mais, seguidores fieis, leitores de palas sem tempo. urge, agora, perguntar: não terão tanta credibilidade esses textos escritos – talvez sobre efeito de marijuana, quem sabe, ou ópio – como os de luz, mais luz, ainda mais luz da alexandra solnado que jura, a pés juntos, receber as mensagens que escreve desse mesmo deus?
o único deus que existe é aquele que sentimos. a força que nos grita para continuar; o sorriso que damos quando, a chover cá dentro, nos olhamos ao espelho; o que nos faz ter prazer em oferecer comida a alguém; o que nos dá alegria em levar, para casa, um cão. esse não precisa de evidências escritas para mostrar qualidade e, perdoem-me, serem alvo de não conformidades explicitas.
pois. o deus da bíblia não é de fiar. palminhas, saramaguinhõ. :-)
Wednesday, 21 October 2009
(só faltava, agora, virem com a treta que não costumam - quando cagam - olhar. isso é o quê - vertigem pela sanita?) :-)
Tuesday, 20 October 2009
um sopro de lá e de cá
e abana a chuva que molha
os pés do canto do olho
por onde andas sol quente
o que andas tu a queimar
esqueceste a flor de lírio
apagaste a luz da boca
cortaste as folhas de ouro
rasgaste o cetim
e agora sol que não há
mandas o sangue na chuva
e as lágrimas no vento
abandonas
deixas ficar
o que a terra amanhã
ou depois ou agora
vai comer e mastigar
e tapar tapar
Monday, 19 October 2009
(o que preferes: um abraço forte e um sorriso do pai ou um depósito cheio de gasolina?)
Sunday, 18 October 2009
Thursday, 15 October 2009
"Carrego a fímbria do que sou, cirando à volta do que frui, arrasto os degraus do que sonhei.
Se houvesse terra entre nós
não havia mar a sós,
não havia boca vermelha,
vento na telha,
cuspo de poeira
Se houvesse terra entre nós
não havia mar a sós,
não havia chuva molhada,
gota chorada
Se houvesse terra entre nós
só havia neve derretida,
só havia ilha traída
Solto a manga que rasguei, coso a alma que guindei, escapo da manta do que sei.
Se houvesse mar entre nós
não havia terra a sós
havia lábios ceifados,
havia anéis descarregados,
havia rapazes molhados
Se houvesse mar entre nós
seríamos barco navio iate,
seríamos sonda sorriso capote,
seríamos seríamos seríamos
aquilo que nunca seremos
Se houvesse mar e terra entre nós
nem assim restaríamos sós."
Confúcio Costa
Wednesday, 14 October 2009
a minha cadursa é uma morena cheia de personalidade e, por isso mesmo, sabe bem o que quer; sabe dizer não; sabe escolher e não se contenta com o que não lhe enche as medidas.
andei, durante dois dias, a dizer-lhe que traria uma amiguinha - que poderia tornar-se uma irmã - para viver connosco: pequenina, moreninha e a precisar de amor e cuidado por ter uma patinha doente. concordou e hoje foi o dia A: apresentação.
(ao fim de dez minutos eu vi, no seu olhar, que não gostou da potencial amiga-irmã - mas passamos quase a tarde inteira juntas para comprovar.
"não quero, não gosto dela e passo bem sem a sua companhia", disse-me ela).
Tuesday, 13 October 2009
Sunday, 11 October 2009
(e que bem que eu fiquei, sentada no chão da cozinha, a escutá-lo, na rádio, no "acontece" de 1988).
fiquei a saber que em 1965, desempregado, rumou ao alentejo e aí permaneceu convicto que, num ápice, escreveria um livro . e enganou-se. demoraria três anos a acabar o "levantar do chão" e a eliminar a pontuação da sua escrita. deu-se conta que, após vinte e cinco linhas - o que explica por mera intuição -, abolira tudo o que não remetia para um discurso meramente oral: nascia, assim, a passagem para a mudança da forma: o estilo
(e eu, ficaria horas a ouvi-lo, hoje esou certa, contar as histórias).
a minha atenção redobrou, aos saltos, quando começa a falar de blimunda e baltazar, "um constante Sol para esta mulher", e confessa não conseguir ser o homem baltazar nem a mulher blimunda que são, bem visto, um modelo de perfeição do amor: um amor, total e profundo, sem palavras de amor. ousou afirmar ser um amor impossível de duas pessoas impossíveis porque, afinal, somos humanos.
(é por estas que - e por outras que quem me conhece bem, que é quase ninguém, sabe -, meu querido saramaguinho, tens mesmo de conhecer-me: eu vivo na tua imaginação sem tu me conheceres). :-)
Saturday, 10 October 2009

(lembrava a minha casa: o oásis meu: os recantos, o cheiro, a minha menina e o meu cão. não lembrava mais nada).
e lá estava, eu - sem saber aonde era a minha casa, como me chamava e o que fazia -, sentada, no carro parado, a aguardar que alguém ligasse para ir buscar-me.
Friday, 9 October 2009
Thursday, 8 October 2009
(ai que riso: os eucaliptos são árvores grandes e cheirosas, é certo, mas mirram e destroem tudo em seu redor).:-D
Wednesday, 7 October 2009
perdoem-me os dois poetas que, aqui, misturo.
(acordei a cantar, em silêncio, assim.)
“escrevo o amor com
as mãos que te batem
as dores que te encolhem
escrevo o amor com
as formas do que esfola
os calos do que piso
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
escrevo o amor
no amor no grito
no não que não salvo
no sabor do aflito
escrevo o amor com
as manchas que te dou
o merdas que te dançou
Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.
escrevo-te o amor
em letras de desistência
em lâminas de ausência
escrevo-te, amor:
escrevo-te (o) amor.”
Monday, 5 October 2009
Sunday, 4 October 2009
A propósito de uma frase de um texto, muito interessante, do Valupi, que li, ontem, consta-se que o amor anda esquecido. Mas não anda. O Amor anda em todo o lado a ser passado para trás. É isso. E isto aplica-se não só - mas mais e melhor - ao amor romântico É isso.
A começar, que seja do início. O que é o Amor?
A ser “fogo que arde sem se ver”, em tempos de políticas pró-ambientais, o caminho mais fácil é a banhada (quem é que quer arder e ficar a cheirar a fumor?); E “se é no amor que recebemos que sabemos o que valemos na nossa consciência” aonde está, aqui, o amar? (puxar o lustro a um par de sapatos é, de facto, um amor intenso?)
O meu amigo dicionário diz, também, que a variante de atracção entre duas pessoas é uma definição. Ora vejamos: fogo a arder sem se ver e a ser extinto - na cama ou na cadeira da sala - em que o orgasmo de um proporciona as ejaculações do outro (este, último, fica a com a certeza, na sua consciência, que vale muito?). Ou então, duas ejaculações, mecanicamente engenhadas, cujo output magnífico é um aiquebom que pode durar, é preciso não esquecer, uns largos segundos (é, no fundo, o tesonete que desatina sem doer?).
Eu sei que sou uma antiquada da merda; não sigo as tendências, modernas, dos casais. Sou uma chata: Sinhã, és démodè. Os casais não querem saber do hálito um do outro: os beijos fazem parte do processo, mulher, de troca de fluidos (também não usas caldos da knorr no arroz?).
Não consigo. Desculpem mas não consigo escrever mais sobre isto que anda na frente
(prefiro guardar para mim
o amor que deve ser
como é
o que não anda nessa dianteira
nem na bagageira de trás
é o que anda ao lado e ao centro
o que arde por fora e por dentro
e vale pelo que dá e recebe) : o Amor que é duro e leve. :-)
Saturday, 3 October 2009
"Hoy vas a descubrir que el mundo es solo para ti
que nadie puede hacerte daño, nadie puede hacerte daño
hoy vas a comprender
que el miedo se puede romper con un solo portazo.
hoy vas a hacer reir
porque tus ojos se han cansado de ser llanto, de ser llanto…
hoy vas a conseguir
reirte hasta de ti y ver que lo has logrado que…"
Friday, 2 October 2009
Thursday, 1 October 2009
Wednesday, 30 September 2009
Monday, 28 September 2009
a vidã tem muito o que se lhe diga.
sou trovão
chuva miudinha
sou cristal na mão
um leixão
sou nudez tapada
ovelha de lã despida
uma alegria surda
uma tristeza envolvida
Friday, 25 September 2009
1979, 25 de setembro.
soaram, estou certa, os sinos de um piano do alto; os sinos que anunciavam a chegada dos dedos, mágicos - das óperas e das odes; dos poemas e das crónicas -, do amor.
sei, hoje (e tu só não sabes se não quiseres), que o mundo sem as suas palavras não seria o mesmo. é ele, sim, que revoluciona - mais do que a literatura - incisiva, perversa, crua e verdadeiramente, a nu, o que é ser humano. e é ele, sempre ele, que - ora tocando os ossos das frustrações humanas, ora pincelando a esperança da desesperança do amor - com ironia e pilhéria, audácia e (confessemos) sedução por um novo mundo de conceitos e de “modus vivendus”, a cada frase, a cada pensamento, empurra o leitor, ideal, para o abismo de conseguir aguentar, firme, nas tramas, o factor surpresa (: não digas - estás surpreendido?).
gralhas? não existem (contrariando a corrente de que os livros, as pessoas e as personagens não se querem perfeitinhos) e colocam o autor a candidato a monumento literário (: ainda não foste comprar um livro?).
a profundidade das suas obras é alucinante e é, sem dúvida, este estilo desmedido a que o autor nos habitua, o maior e mais forte contributo para a queda da literatura do quadrado a que o mercado nos tem condenado (: sim, eu sei. estás cheiinho de vontade de ler sem linhas?).
é o seu inconfundível linguajar, as suas críticas rendilhadas de dor e de cor e de amor que nos remete para a pureza crua e nua da mente humana: a perversidade, a castração e a impiedade que o ser humano tende (para manutenção da espécie) a esconder (: mais solto?).
Importante será, ainda, referir e reforçar (o que é uma constante nas obras do autor) aquilo que – não conseguido por muitos ilustres das letras – melhor o define: descaramento explícito de desafiar o Dharma que se traduz, para o leitor, numa sadia fonte de gozo (: eu espero se estás, agora, a gozar). :-)
é magnífico o nosso Pedro Chagas Freitas.
és magnífico: palminhas.:-)
Thursday, 24 September 2009
Correr, correr. Ela corria - dia sim, dia não – atrás do vento que se apresentava de capa negra e bigodes enrolados. O nome Dela não sei. Além disso, não é importante para o que quero contar. Quero contar a história da corrida para o vento: para A salvar.
Em dias sim era o medo que a travava. Travava-lhe, até, a vontade de pensar: e ganhar.
Ganhar, sim. Pensar é ganhar e nunca se ganha a medo; ganhar medo é, bem visto, meio caminho andado para parar. E para parar de pensar - no vento.
Barricar, vejo hoje, foi a ponte. A ponte que idealizou – de forças e esperanças – para chegar ao vento. A cada dia sim repetia, vezes sem conta, o que precisava não fazer no dia seguinte - que era dia não - e pensava. Pensava como era bom pensar e no que faria no dia depois do seguinte para encontrá-Lo vivo.
Agora: os sonhos Dela - passaram sessenta anos de dias sim e de dias não -, de mulher. Os sonhos - de profundos e arrebatadores pensamentos - são, agora, realidade: a sua esquizofrenia é abusiva e abundantemente controlada por pastilhas negras. Continua, porém, a enrolar guardanapos em forma de bigodes.
Wednesday, 23 September 2009
o que diz um tomate para uma tomata - tumatasme.:-D
e um tubarão para uma tubarona - tubaralhasme.:-D
(isto, sim, é pensar).:-D
Tuesday, 22 September 2009
Monday, 21 September 2009
eu digo: agarra-se-lhes a perna e trinca-se até guincharem.
(continuar a ser melhor do que eles e fazê-los espumarem-se de inveja é a melhor trincadela do planeta.) :-D
Sunday, 20 September 2009
Saturday, 19 September 2009
(um lençol de cetim, cor-de-rosa, adaptado com laços nas pontas, fez um brilharete: a mesa- delicada e romântica). :-)
Thursday, 17 September 2009
Wednesday, 16 September 2009
como se saltam pedras nos caminhos
talvez ou talvez não
porque as pedras dos caminhos lá ficam
para alguém pisar ou saltar
e os dias não se repetem
são soltos e têm vento
ou sol ou chuva ou doce
ou não
ou não
Tuesday, 15 September 2009
Monday, 14 September 2009
recordo, a chorar, como se fosse hoje, quando chegaste: esmurrei-te antes daquele abraço quente.
Beijote. Finalmente: entendes.
suicidaste-te, apenas, porque eu morri. és tão romântico, amor.
Riso em mim: tu.
Sunday, 13 September 2009

ele disse isto no século XVII. :-) (não está bem dito?) :-) " (...) há-de-se guardar e estimar a mulher boa como se guarda e estima um formoso jardim, que está cheio de rosas e outras flores; o dono não consente que ninguém por ali passeie nem colha; basta que, de longe, e por entre as gradarias, lhe gozem da fragância e lindeza."
Saturday, 12 September 2009
maevesinhã :-)
rainha maeve. irlandesa celta - frequentemente chamada deusa por ter exercido poder e fascínio entre seus súditos na sua época - significa "mulher ébria" ou "rainha-loba". deusa da guerra: participou em vários combates - as mulheres, nesta época e nesta cultura, não eram vistas como frágeis ou incapazes e lutavam bravamente. tinham o poder de escolha dos maridos com seus respectivos dotes. além disso, optavam pelo divórcio se estivessem insatisfeitas ou infelizes.
maeve foi, igualmente, um símbolo da sexualidade plena e exuberante. assim como vénus (na cultura romana) ou afrodite, na grega; tinha o poder de escolher os seus parceiros e a sua relação com a sexualidade nada tinha que ver com promiscuidade. ao contrário disso: saudável e magnética.
Friday, 11 September 2009
atendendo à riqueza – que um jogo de futebol tem - de metáforas, eu diria que a baliza não é o sexo mas, antes, o coração. e o golo, certeiro, é a seta a bater no peito
(razão pela qual despem a camisola: a libertação e, daí, a corrida para o orgasmo que é, bem visto, a totalidade do tempo do jogo). :-)
Os que jogam nada são, precisamente, os utilitários da bola. :-)
Thursday, 10 September 2009
(já agora. eu é que tive o prejuízo e ainda tenho de levar com o marido dela? ela que o ature.) :-D
Wednesday, 9 September 2009
(levantar é, para mim, uma cerimónia que exige todos os cuidados e preparativos antes de sair para uma reunião muito importante: não chega um bom pequeno almoço. não; tem de ser muito bom. e a roupa - escolhida ao rigor que a ocasião obriga. (e aquele salto mais elegante).
acresce, ainda, oa miminhos pré-porta-fora, claro, com a minha cadursa. última hora: a val está a vomitar (tenho mesmo de ir embora. está bem, atraso um pouquinho).
gasolina. preciso de gasolina. (ui, ui, está a fazer marcha atrás, ui, ui). bateu-me e desfez-me a direita (mas anda? anda. então fique com os meus contactos e logo, por favor, ligue-me. sim, eu sei, não devia confiar, assim, no povo).
cheguei a tempo - antes de todos os outros colegas -, aliviada e orgulhosa por contrariar o perfil do típico português.
(cheguei faz pouco tempo e resolvi ofertar-me um presente. (está ao lume). esta reunião foi muito, muito boa para o meu bolso: sai uma feijoada, maravilhosa, para mim e uma canjinha, branquinha, para a val).:-)
Tuesday, 8 September 2009
Monday, 7 September 2009
vale a pena ler de novo. :-D
O amor tem destas coisas: por vezes acaba – é bem verdade. É, quase, como o porquinho mealheiro: um dia fica cheio e há que esvaziar. E por falar em esvaziar, falemos de sexo que é coisa que o tal amor tem (pelo menos até ao primeiro tesão da manhã – dizem - que não é de “môr” mas de mijo) e acaba.
O sexo assume, por estes dias do século XXI, uma importância interessante entre os casais, confirmando a tal tendência, genuína, que ele - o amor -, tem destas coisas e acaba. Quem fica a ganhar com isto tudo é a língua portuguesa que enriquece (com estrangeirismos, é certo) e ganha mais uma nova palavra: swing.
Quem percebe da noite – aliás, da noite, de sexo e de swing – como eu, lembra-se, de imediato, da discoteca – tripeira, na berra dos noventa - do Parque Itália. De tal forma, que a tripa reage logo e o sexo pode ser de toda a forma - menos anal. (E o sexo anal é um tema tão excitante e, no entanto, tratado, tantas vezes, como recurso).
As minhas amigas - quando dizem que vão ver os verdes (ou as baleias, consoante a foda se processa em ambiente de arbustos ou de areia fina) - dizem sempre: não havendo preservativo, lá teve de ser no cu. (Quem disse que as galinhas são estúpidas?) Eu própria (confesso que há uns largos anos que me deixei disso) metia, no rabinho – sempre em último recurso da febre de ponta –, um supositório. Um bem-haja ao milagre anal. E à foda à moda de Monção: saia um arrozinho de pingo de cabrito, no forno, com cheiro de Domingo.
(Agora, per
doem-me - estou cheiinha de amor e de tesão por Ele -, vou ter de amar: o que sempre temera acabara de acontecer).
Sunday, 6 September 2009
Saturday, 5 September 2009
(o sorriso tem de ser praticado. tu disseste.)
Friday, 4 September 2009
Thursday, 3 September 2009
(e o combate? o combate eu continuo a aguardar: o paulinho da viola deu música e dançou; josé taborda foi sorrindo, mordendo em seco e cantarolando o refrão, pobrezinho, da cantiga da violação das regras do combate e a jornalista que está, com toda a certeza, na idade dos calafrios, gaguejou insegura).
e o vencedor foi... sinhã. isso. a sinhã que fez, em lãzinha, durante as pingas de suor que caíam no ring, esta bolsinha para colocar os óculos de sol. :-D
Wednesday, 2 September 2009
Tuesday, 1 September 2009
Monday, 31 August 2009
ela merece um tratado; ela merece tudo. :-)
pela noite, já sonolenta, é a primeira a pendurar-se no meu pescoço quando - com a minha voz meiguinha - pego nela e digo que temos de ir nanar para a caminha. é a primeira a suspirar para dormir.
de manhã, a mulinha, de mansinho, lambe aqui e acolá até eu pestanejar. e se eu digo " ainda é cedo vamos nanar mais um bocadinho", ela respeita-me e pára: mas arranja maneira de se colocar em cima de mim de forma a que eu não consiga respirar. :-)
está bem, vamos levantar. quem quer um presente? :-) e depois, de biscoito comidinho e tripas aliviadas, estica-se, consoladinha, a dormir.
olha que carago. merece ou não merece um tratado? :-)
Sunday, 30 August 2009
não vejo esforço na recuperação do poder criativo do fogo. porque fogem, afinal, homens e mulheres, da realidade artística do lar?
que modernidade é esta que perdeu a noção de ritual e de cerimónia: abraça a comida enlatada e a burocracia?
recuperar a cozinha. sim, recuperar o espaço aonde se pratica a arte e a vida: aqui, conciliam-se os quatro elementos da natureza e mais um - a sensualidade.
na cozinha não há guerra dos sexos: há investimento de amor no amor e conversão de passividade em actividade - um grande gozo, de alma e de carne, comum.
eu sou cozinheira e feminina (!ai que orgulho! :-)): transformo e purifico através do fogo.
Friday, 28 August 2009
Thursday, 27 August 2009
| Ocorrência | Consequência |
| Tetanização | Forte contracção muscular, impede a pessoa de largar a zona de contacto com a corrente. |
| Paragem respiratória | Dificuldade ou impossibilidade de respirar devido à contracção dos músculos relacionados com a função respiratória ou paralisia dos centros nervosos que os comandam. |
| Fibrilação ventricular | A sobreposição de uma corrente externa à corrente fisiológica normal, provoca a contracção desordenada das fibras do músculo cardíaco principalmente dos ventrículos. É a principal causa de morte. |
| Queimaduras | Dependendo da tensão, da intensidade e do tempo de passagem da corrente as queimaduras variam entre a marca eléctrica (pequena lesão) e a electrotérmica cujas consequências podem ser profundas e graves. |
por estas e por outras
em qualquer estação
faça como as ondas do no mar
abrace a segurança-amor
amorança
e previna o curto-circuitar
seja a neve carbónica
seja o mar na onda
seja a onda no mar
Wednesday, 26 August 2009
vale a pena ler de novo :-)
Personagens
Deus (D)
José Sócrates (JS)
(a cena passa-se numa praia, naturista, dos arredores de Odeceixe. É verão e JS está de férias).
D
(com esgar de escárnio) chamaste-me e cá estou eu.
JS
(surpreso e com desdém) chamei-te?! como te chamei se nem sei, sequer, quem és?? identifica-te, por favor. tens cartão de cidadão?
D
claro que não tenho: não preciso. mas também duvido que mo dessem: ao invés de ser comprido - o nome - é curto demais: Deus.
ouve. pensa. o que acabaste de pensar?
(faz-se silêncio. enquanto – deitado, pensativo, costas para cima – apoia as mãos na cabeça, JS sente um sexo, duro, a penetrá-lo).
JS
(ofegante e continuando pensativo) mais, mais, toda cá dentro.
isso não é problema porque eu mando anexar - o meu grande orgulho que fica bem em qualquer situação - Magalhães.
D
(rindo) como vês, sou omnipresente: pensas – logo existo. (voz serena) venho para tu vires à vontade e sem medos – e sem referendos.
JS
(palavras trémulas) eu apenas estava cá a pensar, sem os meus botões, que me sabia bem, agora, aliviar-me um pouco da azáfama política que vivo o ano inteiro.
D
é isso mesmo. (riso pan american) e como tu és um homem passivo…
(continuam, lentamente, com o vaivém).
JS
olha lá, mas como vieste atender aos meus desejos se nem sequer acredito na tua eventual existência?
D
a primeira razão – devias sabê-lo como MBA que és – é que gosto de mostrar que sei gerir as minhas prioridades e de levar, até ao fim, tudo o que começo – não precisei de frequentar o ISCTE nem ser aluno do Paulo Rita, PhD. depois (e digo-to sem vergonha), também comungo da opinião que és o sexto homem mais elegante do mundo: (voz rouca) atrais-me muito.
JS
que bem que me faz ao ego, esse elogio. isso quer dizer que, a seguir, vais foder o Jude Law??
D
claro que não. gosto de andar sempre na mesma linha. o próximo será – se, igualmente, chamar por mim – o Hugo Chávez.
JS
(a pingar de suor) epah não contava, mesmo, com isto. já não sentia tamanho relaxamento há muito tempo…
D
sim - tu e o teu irmão -, percebo. eu sei que foi, nessa altura, no governo do Guterres, que ficaste com a tutela das pastas da toxicodependência, juventude e desporto. mereces isto: és um solidário. tranquilo.
JS
grato. de facto, a minha paixão pelo jogging não chega para aliviar este stress todo. de vez em quando também vou ao cinema com a mulher da minha vida mas…
D
eu sei, eu sei. com ela e com a Edite Estrela mas convence-te: nessas alturas estás, apenas, a aperfeiçoar o sexo oral. não menosprezes o resto.
JS
ah como tu me entendes! és um bacano. quem me dera que, também, o povo entendesse os caminhos que escolho.
D
calma, aproveita o momento e podes estar certo: todos percebem que escolhes o caminho dos neo-liberais europeus – ofereces as receitas da Segurança Social de Thatcher mesmo sabendo que faliram.
JS
é verdade, é verdade. mas, sabes, não gosto muito de dar cavaco das decisões que tomo.
D
(com sorriso matreiro) sim eu sei: tu preferes elogiar o Cavaco.
JS
(olhos fechados de satisfação) estou a vir-me, estou a vir-me. ai que bom, meu Deus.
D
missão cumprida. finalmente: acreditas em mim.

a escrita lambida, aqui, ofereceu-me este selo. :-)
(obrigada, joão Pedro. :-))
quanto às minhas recomendações, eu vou passando por uns, amiúde, e por outros, ao de leve: outrosmentos.
se vale a pena? vão e vejam. :-)
Tuesday, 25 August 2009
Monday, 24 August 2009
Sunday, 23 August 2009
Saturday, 22 August 2009
curiosa a beleza de observarmos alguém sem que sejamos observados.
os pequenos gestos
- esgares de viveres -
assaltam-nos
com grandes verdades
(é isso: uma imagem vale, sem dúvida, mais do que palavras a monte).
e se vale a pena
vale sim
minhalma é tudo
menos pequena
. e avançar. avançar é, precisamente, o sinónimo de ver. é averçar.
Friday, 21 August 2009
acordar
e os meus verdinhos regar
ir ao mercado regatear
a sorrir ao bróculo e ao alperce
e depois fresquinho fresquinho
sentir o cheiro do mar
ai que bom que bom que é
o peixinho amanhar :-)
Wednesday, 19 August 2009
e lá fui eu. devia ter percebido mal a senhora me viu e pediu para eu trocar o cai-cai lilás (e lá fui eu vestir uma túnica preta) porque, segundo ela, os espíritos dos homens podiam sentir-se tentados comigo. Oh lord.
uma da tarde e lá estávamos nós no tal templo. três da tarde - aparecem os mestres, vestidos a rigor, acendendo as velas e fazendo saudações aos quadros nas paredes e imagens, ao centro, esculpidas. cinco da tarde e chamam-me. supostamente a medium incorpora a vóvó marilu e começa a dizer-me: salve deus, salve deus e pergunta. e eu, meia zonza pelo cheiro do incenso (que odeio) e pelo ar saturado, digo que fui acompanhar uma senhora e ela insiste para eu perguntar. está bem, aqui vai - e que tal está a minha mãe? mais rezas e tremelicos e mãos suadas nas minhas (inhac) e diz-me, segura, que a minha mãe está com dor nas costas mas que para a semana passa
(a minha mãe morreu há mais de vinte anos).
avançando (isto não me estava a acontecer), insiste para eu fazer mais e mais perguntas e digo: isto aqui não é um ninho de gripe A?
e diz, a tal vóvó marilu dos campos da amazónia e afins, que eu preciso de ir para uma sala com o mestre porque sou especial e tenho de me associar para ajudar a trabalhar energias. e enviam-me para uma outra figura carnavalesca: para eu deixar o meu nome completo. como? não deixo nada e largue-me porque vou embora. largue-me, já disse.
e aguardei, cheiinha de nojo, cá fora pela avó da amiga.
agora esfreguei-me durante muito tempo e aguardo que a sensação de penedo na testa desapareça.
hum. :-)
Monday, 17 August 2009
:-D
Sunday, 16 August 2009
Saturday, 15 August 2009
Friday, 14 August 2009
deixa lá - eu também tenho pedra nos dentes.
(sou tão parva - acabei de dizer isto à minha irmã mais velha). :-)
Thursday, 13 August 2009
é o mesmo que quer matar
entre a morte e a vida
entre o morrer e o ser morrida
a vontade de acabar
com o mar
nada deixar ficar
sem perfume sem rasto
morder a isca do passo
e cair
abraçar a mãe
Wednesday, 12 August 2009
Tuesday, 11 August 2009
Monday, 10 August 2009
(para o instrumento que vai tocar a seguir ser afinadíssimo, delirante: um concerto). ;-)
Sunday, 9 August 2009
(mas contacto-o, sempre, em trengoide@inferno.com.) :-D
Friday, 7 August 2009
Thursday, 6 August 2009
história de fazer c(h)orar
a vida tem destas coisas: coisas sem vida.
um desenho invertido de luz aonde não cabe a vida: só a cantiga.
a tinta vermelha que jorra na tela
deve-se a ela
e só a ela
por tanto que quer receber sem dar
e que sem jogar
joga p’ra não perder
usando tintas manhosas
cruéis e sem perdão
desenha sem desenhar
o mais bonito caixão
e ele que é o amor
o amor que é chuva e vulcão
filho da lua e do sol
cobriu com mantinha quente
a natureza cortante dela
ela que não é girassol
e óleo de pincel
que sem os dedos borrar
borra o amor que suja
o amor dele que é mar
e abandonado ficou
com a estrela da tarde sonhada
que tantas vezes sem cantar
ela cantou encantada
e agora sem dó nem lá
não o quer mais é gelada
e a tela pintada a pincel
tão tão inacabada
jorra tinta vermelha a ele
que de coração partido
com a vida vai noutro sentido
o do sentido negado
o do vermelho proibido
o do sonho perdido
(vou pedir a alguém, na praiinha, que me parta duas costelas ou três).:-D
Wednesday, 5 August 2009
pensinhar
e diziam: "eu penso sempre que existem pessoas piores do que eu - acamadas, doentes; que não têm onde dormir; que não têm trabalho nem o que comer".
e eu? eu que penso que pensar é tão bom e penso nada disso: pensar no mal dos outros para me sentir melhor faz-me mal. eu penso (se for possivel e depender de mim) em como posso limpar a caca a um acamado; dar xarope a um doente e encher a despensa de comida a quem não tem o que comer.
é assim que pensa a sinhã.:-)
Tuesday, 4 August 2009
(quem diz que eu sou demente -ponha o dedo no ar).:-)
Monday, 3 August 2009
(é para a noite não ter fim. ai de mim!).
Sunday, 2 August 2009
Saturday, 1 August 2009
Friday, 31 July 2009
Thursday, 30 July 2009
(que vá cagar).
Wednesday, 29 July 2009
enrolada no meu pescoço
dos pelos quentes e meigos
da preta que vela o meu sono
a mais preciosa preta
que ponho tanta vez
o pé fora do lençol
a receber o ar
em lufada e fresco
que me faz a preta amar
e amar
e amar
Tuesday, 28 July 2009
não quero.
então está bem: eu também já não quero.
como? eu não quero - mas tu tens de continuar a querer.
Sunday, 26 July 2009
Friday, 24 July 2009

é verdade: quando duas mulheres, picantes, se juntam para um post, picante, resulta assim - numa com (atchin) pila (atchin) ção de fotos e de palavras que até faz sede.
(quê, vais dizer-nos que não tens sede?)
estão sensualíssimas estas fotos fálicas, guidinha. tanto que fiquei cheiinha de tesão para mexer nelas e metê-las, aqui, com todo o cuidado. ai que prazer tão grande! ai que picanço frenético que estou a sentir. :-)
eu cato
tu catas
trailailailailai
:-D
( é o que vale andar com o coração limpo e sem raiva a correr nas veias.)
amanhã há mais. ;-)
Thursday, 23 July 2009
Wednesday, 22 July 2009
para ajudar alguém, deixas de fazer algo importante (mas que deixas de fazer porque ajudar torna-se a prioridade) e - para além de ficares com o que tens para fazer - ainda tens prejuízo: apanhas uma multa e vês-te, sozinha, às tantas da madrugada, numa rua escura e suja e tentam assaltar-te para, no fim, toda a ajuda que prestaste não dar fruto - tudo volta a ficar como estava.
(à excepção do trabalho que acumulou; da coima que tens de pagar; das dores no corpo pelo frio e chuva que apanhaste; do sono descontrolado e, claro, pelo susto de te quererem roubar).
Tuesday, 21 July 2009
o meu pai - o homem que tanto admiro e que faço questão de pendurar na parede, no tecto e no chão - ama-me. incondicionalmente.
(gravatas? camisas? perfumes? caguem nisso, manos. eu já comprei o que vou oferecer ao meu pai: uma cadeira de executivo porque é ele quem se senta na sala do director para gerir a maior, mais rica e melhor empresa do mundo - a família).
:-)
Monday, 20 July 2009
(quando é à gola).
Sunday, 19 July 2009
(terá sido por, finalmente, ter conseguido cortar-lhe e limar-lhe as garras (de gata)? (ainda vou saber fazer-lhe tranças.) agora quando vier pousar, nas minhas mamas, já não preciso guinchar.) :-D
como se desse um salto
para passar um abismo
sem chão e sem ar
ai casa do capitão
desaguar
desaguar
Saturday, 18 July 2009
(é assim o acordeão da loucura).
que queres mais tu
o meu pé
porque já aí tens a minha mão
Friday, 17 July 2009
(é por isso que existem tantos obstipados: não ficam ourados). :-D
Thursday, 16 July 2009
Wednesday, 15 July 2009
(e a diferença é, bem visto, um factor de cera. será?).
Tuesday, 14 July 2009
e vestindo a saia de tule
desliza devagar
fazendo piruetas de sono
e de riso
assim
quase perfeito
com atilhos de cetim
na perna carnuda e delicada
em pontas do sentir
e cabelos enrolados
desliza devagar
bailado de perfume
que enches o ar
em pontas do mir
cetim de dormir
tule de carpir
perfeição de sentir
Sunday, 12 July 2009
(e que bem que te faria);
a voz, segunda, gritou: não sacudas o ombro - os pensamentos têm vida
(voar em vez de correr não te deixa morrer).
e, em sintonia, sorriram as vozes da ópera?
sim, chorriram.
Thursday, 9 July 2009
e apertei e babei
a noite fez entranhar
o cheiro no meu acordar
cheira a cabelos e a mãos
sabe a mil mimos de chãos
está guardada é um tesouro
para abrir sempre de dia e de noite
tem sim a força de um touro
Wednesday, 8 July 2009
(prometo que vou fazer-te rir e chorar en tan solo un segundo.)
Tuesday, 7 July 2009
Monday, 6 July 2009
porqueeuestoucheiademedodeumdiaacordarenãosaberperdoar.
Sunday, 5 July 2009
enquando dás corda aos dedos
e puxas pela imaginação
(já chega de dormitares
enquanto vês o avião)
depois faz um creme de mousse
bem grossinho um apetitão
(sem água sem leite e apenas
um pacote de natas pois então)
mexe muito até reparares
que do cimo não salta p'ra agarrares
então busca a massa folhada
que bem bem arrumadinha
repousa para quando surge assim
uma ideia docinha docinha
embrulha a mousse na massa
e a cento e setenta graus
deixa-a morenar um quarto d'horinha
(e não esqueças a ventoinha)
e depois finalmente eis
a tortinhã moreninha
de domingo com chá
cheira a doçura e sabe a amor
melhor receita não há
Saturday, 4 July 2009
(tanto, tanto, que fico com o rabinho inflamado).:-)
Friday, 3 July 2009
um devaneio de treze linhas. sim: um pequeno devaneio que o tinha - por breves instantes - assaltado trazia-o, agora, de volta à realidade: estavam a arrancar o fio de ouro e os brincos de diamante da sua mulher.
as jóias que miss sarah usava naquela noite eram, de facto, raras: tinham a capacidade de embelezar um rosto e busto tristes e amargurados pelo fado-carrossel da vida social que se lhe impunha – o que escapava aos olhos, apaixonados, de edgar. naquele momento - de gestos e palavras soltas – , entre um esgar descontraído e pensamentos fingidos, o ladrão – de olhar sereno e brilhante – parou. (e parou, não por receio ou irreflexão, porque viu. viu o olhar da mulher e viu, igualmente, o palpitar do marido – um palpitar de ciúme emoção.) e o cc, ladrão, cantava, sorrindo, assim:
“foi por isto que cá vim
não vim com intenção de roubar
vim por vocês esposos
vim p’ra vos fazer pensar
que neste mundo inteirinho
não existe riqueza igual
à de um olhar profundo
e despido de metal
agora edgar pensa
no sorriso da tua mulher
que dispensa o pé de dança
a ti só quer ela ter
as joías levo-as comigo
vou enterrá-las no quintal
a ver se nasce uma árvore
que dê flor, frutos e tal
agora edgar, pensa
no sorriso da tua mulher
que dispensa o pé de dança
a ti só quer ela ter (…)”
o dia nasceu e miss sarah - despida de jóias e de protocolos - regressou a casa, com sorrisos limpos e olhos de amor por fazer, com edgar; o ladrão - de tristezas -, guardador de sonhos e esperanças, sorriu também. feliz e cumpridor do roubo do par pensava, agora, no próximo ataque.
Thursday, 2 July 2009
Wednesday, 1 July 2009
(e ai, ai, ai
que bom que é). :-)
Tuesday, 30 June 2009
sim, é. são pequenos repentes de cor fluorescente, sem cheiro - mas bastante sentidos.
e como os sentes?
são uma perna cortada e depois a outra e o pó a rasgar a carne e a carne a limpar o pó.
(entretanto as pernas cortadas dançam, alegres, fora do tronco).
estás a dizer-me que a loucura é uma espécie de arraial?
sim, é isso: arraiura.
Monday, 29 June 2009
numa escalada sem fim
se vão parar e deitar
hoje é um dia
amanhã vem outro
entre o cansar e o cansar
Saturday, 27 June 2009
um som que sabe tão bem
vejo que me toca suave
o cheiro do desdém sem
na minha cabeça passa
as mãos com dedos porém
cheiro ao longe como seria
ouvir o toque
sentir o som
olhar o cheiro
e engolir o piano
de cauda comprida e brilhante
que só do avesso reluz
diz-me tu piano sábio elegante
guardas-te na estante
vives para ser galante
seduzes quem te seduz
para sempre tocarás ao longe
piano do meu canteiro
de cauda comprida e brilhante
toque e cheiro de estante
mel em frasco picante
Friday, 26 June 2009
Wednesday, 24 June 2009
(mas não tenho. azar. pinto logo ou amanhã; ou então não pinto - ou pinto quando me apetecer. o que importa isso? nada, claro: os meus olhos não vão cegar nem os dedos - de vaidade - vão ficar sem se mexer.)
Tuesday, 23 June 2009
(eles não sabem, até hoje, que eu chorava pelo tempo que passava tão rápido e pela chuva, fresquinha, que deixaria de apanhar - porque entretanto a minha mãe descobria e ia buscar-me).
Monday, 22 June 2009
sem mãos e sem pés
é tentar o coração manso
inverter o enforcado
imaginando um cavalo alado
que voa nas coisas do mundo
do seu e do meu
e usa uma pérola
a pérola verde
Saturday, 20 June 2009
Friday, 19 June 2009
(ou será o meu nariz a querer sal cristalino?)
Wednesday, 17 June 2009
Monday, 15 June 2009
maldito sejas
superlativo absoluto
que te desviaste de mim
e do ser pequena
e do ser magra
(agora podia estar a viajar, bem ao jeito russa, na máquina de lavar para, desta feita, arejar a cabeça e, quem sabe, as nódoas dela minguar)
porque fico só a olhar
rodar rodar rodar
tudo não perco
é certo
fico com o ourar do rodar
Sunday, 14 June 2009
Friday, 12 June 2009
a primeira namorada, do meu pai, que conhecemos era ternurenta. nunca a levou lá a casa (obrigada pai) mas, de quando em vez, estávamos com ela: fazia-nos bifinhos enrolados - recheados com presunto e ovo - com um palito. na altura foi uma pena o meu pai gostar, apenas, de ela
(eu também gosto de mousse de chocolate: fico, com duas colheres - de tão enjoada -, satisfeita).
Tuesday, 9 June 2009
pela minha janela
que dá para os céus
traz-me brisa de melodia
e música de ventania
as árvores pela minha janela
que emolduram o meu olhar
abanam para fazer-me sorrir
páram para ouvir-me chorar
no céu das árvores da minha janela
só entra a brisa do acordar
e abre-se sempre a janela
para eu poder sonhar













